Bruno Ribeiro/ESTADÃO
Bruno Ribeiro/ESTADÃO

AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Samarco joga lama removida ao lado de rio

Empresa deposita material retirado em Barra Longa às margens do Rio do Carmo, o mesmo que levou rejeitos até o Rio Doce

Bruno Ribeiro, Enviado especial

28 de novembro de 2015 | 03h00

A mineradora Samarco está depositando a lama que vem sendo retirada há três semanas do centro da cidade de Barra Longa, a 60 quilômetros de Mariana (MG), justamente na margem do Rio do Carmo, curso d’água que termina no Rio Doce e local de onde está vindo a sujeira que contamina a água potável de mineiros e capixabas e já chegou ao mar. 

O procedimento, dizem especialistas, contamina cada vez mais a água do rio, pois a lama, com a chuva, volta a escorrer para as águas. A Samarco diz que o depósito no local é temporário e a empresa busca um espaço adequado.

A montanha de lama fica bem na entrada da cidade. Caminhões que saem de Barra Longa percorrem cerca de um quilômetro até o local do depósito, um terreno que funcionava como centro de exposições para festas agropecuárias da pequena cidade, de 7 mil habitantes. Uma escavadeira e uma pá mecânica passam o dia empilhando a sujeira depositada pelos caminhões. “É um lugar provisório, mas ainda não encontramos outro”, diz o prefeito de Barra Longa, Fernando José Carneiro Magalhães (PMDB), ao reconhecer que a lama pode voltar ao rio. “Falaram que iriam deixar lá para secar, e depois colocariam em outro lugar”, continua. 

Prazo. Magalhães afirma que, em reuniões com a Samarco, foi estabelecido prazo até 30 de setembro do ano que vem para que a limpeza na cidade termine. O presidente da Associação Brasileira de Análise de Impacto, Alberto Fonseca, pró-reitor da Universidade Federal de Ouro Preto, afirma que o que o risco é de um “assoreamento homeopático”, com a lama voltando ao rio aos poucos, levando as partículas sólidas de volta ao curso d’água. “Antes de fazer qualquer análise, é preciso saber o que é esta lama. Fazer um plano de amostragem, com análises em diversos pontos, para aí, sim, saber do que se trata o material”, explica o engenheiro ambiental.

“Se for constatado que o material é inerte, ou seja, não traz risco de contaminação, ele pode ser tratado como entulho. Para que fosse depositado na margem de um rio, só com um plano de drenagem e de monitoramento, o que não parece ser o caso, pelo que está sendo contado”, afirmou.

A limpeza da cidade se restringe à área urbana. Para as áreas rurais, e também para o distritos da cidade que foram atingidos, o vereador Leleco Rosário (PMDB), que encabeça o diálogo da cidade com a mineradora Samarco, diz que, até o momento, não foi feito um plano de limpeza. “Estão estudando jogar um produto para misturar com a lama e ver se a vegetação vai crescer”, afirma. 

Perda de gado. A lama seca nas margens do Rio do Carmo, antes e depois do centro de Barra Longa, tem pelo menos 1 metro de altura. “Tem gente perdendo o gado por sede. Em Gesteira, a lama ainda está no centro”, diz o pintor Luís Aparecido Rocha, de 39 anos.

Questionada sobre o assunto, a Samarco encaminhou nota destacando a provisoriedade da situação. “O rejeito retirado da área está sendo levado temporariamente para o Parque de Exposições da cidade, em local seguro. A Samarco vai fazer o devido tratamento do material. A empresa também está buscando áreas autorizadas para depositar o rejeito restante”, diz o texto. A empresa também foi questionada sobre o que fará com a lama nas margens dos rios, mas não respondeu.

Tudo o que sabemos sobre:
SamarcoMarianaPMDBOuro Preto

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.