Samba histórico não salva o Império Serrano da queda

Escola reeditou ''A Lenda das Sereias'', de 1976, mas perdeu pontos em alegorias e fantasias

Márcia Vieira, O Estadao de S.Paulo

26 Fevereiro 2009 | 00h00

Não adiantou recorrer ao samba histórico A Lenda das Sereias e os mistérios do mar, de 1976, para tentar se manter no Grupo Especial. O Império Serrano tirou a nota máxima no quesito samba-enredo (40 pontos), mas perdeu pontos preciosos em alegorias e fantasias, e acabou em último lugar, com 390,7 pontos (de 400 possíveis).O rebaixamento para o Grupo de Acesso não é novidade para a escola do Morro da Serrinha, em Madureira. Nos anos 90, ela caiu três vezes, a última em 1999. Em 2001 conseguiu voltar para o grupo de elite. Mas foi rebaixada de novo em 2007.O sobe-e-desce é consequência, principalmente, das dificuldades financeiras enfrentadas pela escola. Neste ano, o Império gastou R$ 3,3 milhões, muito menos do que a maioria das escolas do Grupo Especial, que consomem, em média, R$ 5 milhões. A campeã Salgueiro gastou R$ 6 milhões para levar o título.O presidente Humberto Soares Carneiro deixou o Sambódromo ontem revoltado, logo depois da apuração. "Estou muito decepcionado e triste. Os critérios de avaliação precisam ser revistos. Uma escola que traz uma alegoria simples, mas que representa o enredo não é valorizada. Outra com alegoria luxuosa, que não tem nada a ver com nada, ganha pontos maiores", reclamou.A "disputa" pelo último lugar chegou a ficar acirrada em alguns momentos entre o Império e a Mocidade Independente de Padre Miguel. Mas a diferença final entre as duas foi de oito décimos. A carnavalesca Márcia Lage, que pela primeira vez assinou um carnaval sozinha (veja mais informações ao lado), apostava na criatividade para driblar a falta de recursos. Mas não funcionou.Os carros alegóricos estavam menores do que as outras escolas e com poucos recursos visuais, o que fez a escola perder 2,1 pontos. A força do Império estava no samba e na bateria de mestre Átila, que perdeu apenas um décimo. Nos outros oito quesitos a escola foi muito mal.ANOS DOURADOSEm 62 anos de existência, o Império já foi campeão nove vezes. Seu auge foi nos anos 40, quando venceu quatro vezes consecutivas. A escola tem na história compositores de peso, como Silas de Oliveira, Mano Décio e Arlindo Cruz. O último título foi em 1982 com o belo samba-enredo Bumbum Paticumbum Prugurundum, de Beto Sem Braço e Aluízio Machado.A decisão de recorrer a um samba antigo para tentar se manter no Grupo Especial já levou outra escola ao rebaixamento. Em 2007, a Estácio de Sá caiu ao reeditar o enredo Tititi do Sapoti, de 20 anos atrás.Essa foi a segunda vez que o Império repetiu um samba. Em 2004, a escola levou para a avenida Aquarela Brasileira, de Silas de Oliveira. Não ganhou, mas o nono lugar garantiu a permanência da agremiação no Grupo Especial. Desta vez, porém, a fórmula não deu certo.

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