Samu libera condução de motos

Falta de motorista leva Saúde a autorizar que qualquer servidor habilitado pilote motolâncias

Vitor Sorano, O Estadao de S.Paulo

15 Julho 2009 | 00h00

Em portaria publicada no Diário Oficial da Cidade, a Secretaria Municipal de Saúde autoriza qualquer profissional do órgão, se habilitado, a dirigir ambulâncias e 80 motolâncias - recém-recebidas do governo federal. Alegam haver "número reduzido" de motoristas para o Serviço Móvel de Urgência e Emergência (Samu).Em 30 de abril, matéria do Jornal da Tarde mostrou que a Prefeitura admitia falta de médicos e auxiliares de enfermagem do serviço, que faz cerca de 120 mil atendimentos por dia com 120 ambulâncias. O coordenador do Samu, Paulo Kron, disse que o quadro de profissionais é atualmente suficiente. O Samu de São Paulo tem um tempo-resposta - intervalo entre a chamada e a chegada da ambulância ao local - de 18 minutos. O ideal seria 10 minutos. Segundo Kron, com as motolâncias em funcionamento o tempo cairá para 12 minutos. No início do ano que vem, com outros investimentos, a previsão é chegar a 10 minutos.EMERGÊNCIASegundo a portaria divulgada ontem, não há concurso em vigor para a nomeação de mais profissionais dessa categoria.Esse foi um dos fatos considerados para a decisão de autorizar "excepcionalmente os profissionais lotados no Samu-192" que tenham habilitação para conduzir "as ambulâncias e veículos motocicletas - motolâncias". O documento cita tanto profissionais da saúde (médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem) como os "não oriundos" da área.Em entrevista, Kron disse que apenas auxiliares de enfermagem, médicos e enfermeiros poderão conduzir as motolâncias. "Tem de ser profissional de saúde", afirmou.As motolâncias, segundo ele, estão em processo de recebimento. Não há uma data específica para que comecem a operar. "Será o mais breve possível", garantiu Kron. Os profissionais selecionados passarão por cursos em grupos de 20 com a Polícia Rodoviária Federal. Serão treinados 60, já que 20 motos são mantidas como uma reserva técnica. Segundo o Ministério da Saúde, a primeira turma terá aulas em agosto.A ideia é que as motolâncias sejam usadas principalmente em eventos tempo-dependentes (como enfarte agudo, acidente vascular cerebral e traumatismo cranioencefálico); para atendimento em locais de difícil acesso para as ambulâncias e no apoio quando for preciso mais profissionais.Segundo Kron, a palavra "excepcionalmente" se deve ao fato de o projeto ser recente e a Prefeitura não ter muitos profissionais para esse tipo de habilitação. Ele garantiu que estão em fase de contratação 545 auxiliares de enfermagem, 60 enfermeiros e 100 médicos, mas não precisou quando isso vai ocorrer.

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