'Sanção de Lula cravará na história criação de um Estado racializado'

Yvonne Maggie

, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

PROFESSORA DE ANTROPOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (UFRJ)

A professora de antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Yvonne Maggie, foi uma das signatárias do manifesto contrário à instituição do Estatuto da Igualdade Racial, ainda em 2006. "Se sancioná-lo, Lula estará cravando na história a criação de um Estado racializado", afirma.

Como a sra. vê a aprovação do projeto?

O fato é que é um precedente inconstitucional. O nome do estatuto já traz nele o ovo da serpente. É o Estado estabelecer uma lei que contém em seu título a palavra racial. O presidente Lula, se sancionar esse estatuto, mesmo com todas as alterações, estará cravando para a história a criação de um Estado racializado.

Que tipo de consequências a sra vê pela frente?

Quando o Estado criou a divisão do povo em raças ou etnias, as consequências foram sempre danosas, especialmente em países como o Brasil, que não têm uma tradição de identidade ou separações do ponto de vista racial ou étnico.

O manifesto foi derrotado?

A nossa oposição a essa loucura foi importante para estabelecer o debate. Essas leis que estão sendo propostas teriam sido propostas teriam sido aprovadas sem discussão e sem nenhum tipo de modificação. O Supremo Tribunal Federal (STF) vai regular isso de alguma forma e espero sabedoria para considerar essas leis inconstitucionais. / ROBERTO ALMEIDA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.