Sangue na sala do apartamento e no lençol é de Isabella, diz laudo

Peritos aguardam relatório sobre as roupas da madrasta; legistas querem saber o que fez menina ficar inconsciente

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

17 Abril 2008 | 00h00

Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) terminaram o primeiro exame de DNA do caso Isabella Nardoni e concluíram que é da menina de 5 anos o sangue que estava nas paredes da sala e no lençol do quarto de onde ela foi arremessada do 6º andar do Edifício Residencial London, na Vila Isolina Mazzei, zona norte de São Paulo. A prova se soma às escoriações, ao corte de 0,5 centímetro na testa e à lesão no pescoço da garota e reforça a tese de que ela foi agredida no apartamento. Mais informações sobre o caso Os peritos que vão fazer o laudo sobre o local do crime ainda aguardam o relatório de análise das roupas da madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, de 24 anos. Em uma blusa dela foi encontrada uma mancha de substância semelhante a sangue. Os peritos querem saber se esse sangue é de Isabella e estão fazendo o exame de DNA no material recolhido. "A extração do DNA de uma mancha é complicada e difícil", afirmou um perito ouvido pelo Estado. Esse foi o caso das amostras encontradas no Ford Ka de Alexandre Carlos Nardoni, de 29 anos, o pai de Isabella. Algumas dessas amostras não tinham material suficiente para a realização do exame. "Isso não significa que a amostra não era sangue. É preciso muito cuidado com esse tipo de informação", disse um outro perito. Outro exame que ainda não foi concluído é o que verifica a causa da morte de Isabella. Sabe-se que ela sofreu tentativa de asfixia e que morreu por causa da queda. Os legistas do Instituto Médico-Legal (IML) ainda não têm certeza se a menina sofreu a parada cardiorrespiratória por causa do impacto da queda ou se isso foi provocado por esganadura - ter o pescoço apertado com as mãos. Caso isso tenha ocorrido por causa do choque com o chão, os peritos querem saber o que fez com que Isabella estivesse inconsciente ao ser jogada da janela. Com base no resultado do exame necroscópico e em laudos complementares do IC, a polícia pretende estabelecer as responsabilidades do pai e da madrasta na morte de Isabella. A existência de apenas duas pequenas fraturas em seu corpo - no punho e na bacia -, apesar de uma queda de 20 metros de altura, mostram que a menina estava com o corpo relaxado, o que, aliado ao fato de ela ter caído sobre o gramado fofo e molhado do jardim do prédio, teria amortecido a queda. No relatório para o pedido de prisão temporária do casal, feito pela delegada assistente do 9º Distrito Policial (Carandiru), Renata Helena da Silva Pontes, publicado anteontem pelo Estado, consta que, se a menina não estivesse inconsciente no momento da queda, as lesões teriam sido muito mais graves. O relatório, feito com as conclusões dos médicos-legistas de até 15 dias atrás, afirmava que tudo indicava que Isabella já estava em processo de morte, com poucos sinais vitais, antes de ser arremessada. Para a polícia, a menina foi jogada pela janela "não com a finalidade de provocar o óbito, mas de mascarar a lesão provocada no apartamento". A previsão é de que o laudo final sobre o crime da Rua Santa Leocádia, feito em conjunto por peritos do IC e do IML, fique pronto até amanhã, quando o casal deverá prestar novo depoimento à polícia. Se tudo ocorrer como prevêem os responsáveis pela investigação, Alexandre e Anna Carolina devem ser indiciados pela morte de Isabella no mesmo dia. REUNIÕES Na tarde de ontem, ocorreram duas reuniões dos peritos que cuidam do caso. Uma delas envolveu o superintendente da Polícia Técnico-Científica, Celso Perioli. A outra contou com a participação dos três médicos-legistas que examinaram o corpo de Isabella naquele sábado. O objetivo é tentar alcançar um consenso sobre a dinâmica do crime. Para isso, além de vencer a divergência de opinião entre os legistas, será necessário aguardar os resultados de alguns exames. O mais aguardado é o DNA da mancha achada na blusa da madrasta. Só quando esse trabalho estiver concluído é que a polícia terá condições de questionar Anna Carolina e Alexandre sobre os pontos contraditórios da versão apresentada inicialmente pelo casal. Os funcionários de vários núcleos de análise do IC estão mobilizados para concluir até amanhã os exames que servirão de base para o laudo final. O documento será emitido por peritos do setor de Crimes Contra a Pessoa do instituto. SEM RESPOSTAS Por que Isabella foi morta? Isabella morreu em decorrência da queda ou por asfixia? A que hora Alexandre e Anna Carolina chegaram ao prédio? Quanto tempo o pai ficou sozinho no apartamento com a menina? Quantos minutos o pai e toda família teriam levado para chegar ao apartamento após Alexandre ter deixado a menina sozinha? O pai diz que deixou a porta trancada. Por que não há sinais de arrombamento? Por que não há indício de 3.ª pessoa na cena do crime? Por que, em vez de chamar o resgate, Alexandre e Anna Carolina ligaram para seus pais?

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