AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Sanitaristas defendem plano de erradicação do Aedes aegypti

Médicos sanitaristas e clínicos gerais reunidos no 1º Fórum Nacional sobre a Dengue divulgaram hoje a "Carta do Rio", um documento que exige a implantação de um plano de erradicação do mosquito Aedes aegypti, o transmissor do vírus que causa a doença, e que será apresentado ao ministro da Saúde, Barjas Negri.Os especialistas defenderam que a única forma de o Brasil evitar novas epidemias de dengue é com a adoção de um modelo que tenha como objetivo exterminar o mosquito. "O problema é que a forma de combater a doença está errada. Esse modelo não vai resolver. O governo brasileiro precisa de um plano que junte verba com vontade política", criticou Jaime Calado, médico sanitarista do Rio Grande do Norte e responsável pelo maior plano de erradicação do Aedes aegypti dos últimos anos, que foi formulado pelo então ministro da Saúde, Adib Jatene, em 1996. Calado pede que o projeto de Jatene seja reeditado agora.O plano de Jatene previa um investimento do governo federal de R$ 4,5 bilhões em um período de três anos. As ações não seriam apenas um simples combate aos focos do mosquito, mas também seriam direcionadas a melhorar o saneamento e a coleta de lixo. Com elas, o plano pretendia acabar com o Aedes. A dengue já foi considerada erradicada no Brasil duas vezes, a primeira em 1958 e mais tarde, em 1973. Desde lá, a infestação do mosquito cresceu muito. Além disso, a entrada de novos tipos do vírus no País foi responsável pela dimensão das duas grandes epidemias, a primeira em 1990 e a última este ano, quando cerca de 60 pessoas morreram apenas no Rio de Janeiro.A política de combate à dengue da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) concentra-se na redução e controle do mosquito. Os técnicos da Funasa consideram irreal a meta de acabar com o Aedes. Mas os sanitaristas reunidos ontem no Rio criticaram essa visão do ministério e pediram que a erradicação do mosquito volte a ser encarada como um objetivo factível e que deve ser perseguido. "O Brasil chegou a um momento muito grave. Precisamos retomar aquele plano feito por Jatene e voltar a acreditar que podemos acabar com o vetor", defendeu o presidente do fórum, o médico Luiz José de Souza. "Foi por isso que reunimos aqui todas as entidades médicas e vamos levar essa carta ao ministro."Para Jaime Calado, ex-assessor de Jatene, o argumento de que é impossível erradicar o mosquito transmissor do vírus não se sustenta porque o Brasil já conseguiu a erradicação em outros tempos. "Se conseguimos antes, por que não podemos fazer de novo?", questionou. "O benefício não seria apenas para a dengue. Acabaríamos ainda com outras doenças transmitidas por vetores", explicou. Segundo Calado, se o governo continuar evitando adotar um plano eficaz, o Brasil vai viver outras grandes epidemias de dengue hemorrágica e corre o risco de ver a volta da febre amarela urbana -hoje o País só tem casos do tipo silvestre.

Agencia Estado,

27 de maio de 2002 | 16h57

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.