Santa Catarina tem 1ª morte em onda de atentados

Ataques a ônibus já ocorrem até durante o dia e transporte coletivo foi reduzido; governo catarinense volta a recusar ajuda federal

Daniel Cardoso, especial para o Estado,

15 Novembro 2012 | 19h54

FLORIANÓPOLIS - No quarto dia de atentados criminosos em Santa Catarina, houve o primeiro registro de um morto e um ferido e a intensificação da violência, mesmo de dia. Da noite de quarta-feira até a manhã de quinta-feira, pelo menos 12 atentados foram registrados nas cidades de Florianópolis, Itajaí, Tijucas, Palhoça e Itapema. Já o governo catarinense voltou a dizer que não precisa de ajuda federal.

A onda de violência já impacta a rotina dos catarinenses. Em Florianópolis, mesmo durante o feriado desta quinta-feira, os usuários do transporte público enfrentaram problemas. Nas primeiras horas da manhã, as empresas de ônibus retiraram os veículos de circulação, causando aglomeração de pessoas nos terminais. A situação só voltou ao normal após uma reunião entre os empresários de transporte, governo estadual, prefeitura de Florianópolis e representantes das polícias.

Na reunião, o poder público voltou a dar garantias de escolta aos veículos, mas afirmou que não pode dar proteção a todos os ônibus. As empresas, então, decidiram reduzir o número de ônibus à disposição dos usuários.

Um dos ataques à luz do dia, que assustou a população, ocorreu por volta das 16h de quarta-feira em Itapema e envolveu um coletivo. Dois homens tentaram, sem sucesso, atear fogo no ônibus. Na fuga, foram interceptados por uma viatura policial. Houve troca de tiros. Um dos homens foi atingido e morreu por volta das 18h. O comparsa fugiu.

A agressividade dos atentados se intensificou. Na madrugada de quinta-feira, ocorreu o primeiro registro de feridos. O cobrador e o motorista de um ônibus, em Palhoça, tiveram dificuldade em fugir do veículo, atacado por criminosos, e tiveram as roupas totalmente chamuscadas.

Sob controle

Apesar da escalada de violência, o governador Raimundo Colombo declarou ontem que “a situação está sob controle”. E manteve a opinião de que não é possível confirmar a existência da facção criminosa Primeiro Grupo da Catarinense (PGC). Colombo afirma que a hipótese de os atentados serem ordenados de dentro dos presídios é apenas uma das linhas de investigação.

Além disso, o governador continua dispensando ajuda federal. “Nesta hora temos de somar todas as forças, não dá para fazer uma análise política. Estou em contato com o Ministério da Justiça, com os órgãos de inteligência federal. Se piorar, se houver recrudescimento, se houver necessidade, vamos buscar apoio”, declarou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.