São 81 os presos desaparecidos após rebelião em Benfica

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio vai cobrar na Justiça, através de um mandado de segurança, que o governo do Rio informe sobre 81 presos da Casa de Custódia de Benfica que, segundoseus parentes, estão desaparecidos desde a rebelião. A medida será tomada caso o Estado não o faça espontaneamente. O presidente da entidade, Octávio Gomes, acredita que mais detentos tenham morrido, além dos 30 anunciados oficialmente.Os 81 nomes foram passados por familiares que aguardam por notícias do lado de fora do presídio a representantes da OAB que estiveram lá na sexta-feira passada. Gomes disse que já enviou três ofícios ao governo perguntando sobre os detentos e não obteve resposta. Por conta da demora na liberação das informações ? o motim terminou no dia 31 de maio ?, ele anunciou que entraria com o mandado (que já está pronto) até sexta-feira, se o governo não se pronunciar. ?O que ocorreu com esses 81 presos? É a pergunta que não quer calar?, disse Gomes. ?Ou eles foram mortos, ou fugiram ou podem estar lá dentromesmo.? O advogado foi enfático ao criticar a postura do governo. ?O Estado está sendo insensível, demonstrando sua desorganização edespreparo na conduta da administração dos presídios.? Ele sugeriu que o Instituto Félix Pacheco seja chamado para identificar os internos que estão na casa, já que, durante o levante, os documentos foram queimados. O número de mortos, considera, pode ter chegado a 60. Gomes se baseou em relatos de parentes dos presos para fazer a estimativa.O presidente da OAB considerou uma arbitrariedade o fato de integrantes da Comissão de Direitos da entidade terem sido impedidos de entrar por duas vezes na casa de custódia. A advogada Celuta Ramalho contou que, na última sexta-feira, só conseguiu chegar até os presos porque ?entrou à força?. Celuta descreveu a inspeção num relatório divulgado ontem. Nele, diz que o diretor da casa não respondeu às suas perguntas. Não informou nemmesmo o número atual de presos. ?Ele só dizia ?não sei??, contou. Celuta disse ainda que viu presos feridos sem tratamento, misturados alixo, sangue e restos humanos. Procurada pelo Estado, a Secretaria de Administração Penitencária não se pronunciou.

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