São Caetano é pioneira em reuso da água

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e o município de São Caetano assinaram ontem contrato que prevê o fornecimento de água de reuso. A partir de hoje, por meio de caminhões-pipa, a água já utilizada e que sofre um processo de retirada de esgoto será entregue à Prefeitura de São Caetano, primeira cidade no País a adotar esse sistema. Essa água pode ser reutilizada na irrigação de jardins, lavagem de ruas e no combate a focos de incêndio.O programa Água de Reuso está entre as medidas propostas pelo governo paulista para economizar água. A meta é tentar evitar o rodízio de água na capital e na região metropolitana, com uma redução total de consumo de 20%. "Não tem sentido usar água tratada com flúor, cloro, para lavar a rua depois da feira. Além disso, temos problema de falta de água com essa estiagem", disse o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP). Segundo ele, usar o sistema na capital paulista é uma decisão que "depende da Prefeitura?, mas que pode ser realizada imediatamente. ?Temos estações de tratamento de água para isso", disse Alckmin. Ele destaca, além reaproveitamento, a economia que será feita: a Prefeitura de São Caetano vai pagar R$ 0,30 pelo metro cúbico de água de reuso contra os R$ 0,58 anteriores, de água potável. A economia seria maior caso a Sabesp pudesse captar todo o esgoto coletado pela cidade, não apenas 20%. Segundo Denis Striani, do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de São Caetano, para o tratamento dos restantes 80% de esgoto, a Sabesp precisa concluir obras como a implantação de interceptores e sifões ao longo do Ribeirão dos Meninos e do rio Tamaduateí. A previsão da empresa é entregar as obras até o final do ano. "Estamos prontos para fornecer 100% de esgoto coletado", disse Striani.Segundo Striani, a economia não será representativa do ponto de vista financeiro. "O volume reutilizado será da ordem de mil metros cúbicos por mês, mas haverá um ganho grande na mudança de conceito do que é desperdício", disse. Atualmente, a população está fora do programa de reuso da água que só pode ser reutilizada pelos órgão públicos. Está em estudo a expansão do programa para indústrias, mas a população recebe o benefício indireto de ter sobra de água potável. "No futuro , poderemos ter redes independentes de água potável e água de reuso nas casas dos moradores, mas isso, hoje, é ficção científica", disse o engenheiro Striani.

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