São Clemente abre desfile do Rio com críticas políticas e sociais

Primeira escola a passar pela Marquês de Sapucaí neste domingo, a São Clemente fez um desfile marcado pela crítica política e social e pela irreverência. A agremiação de Botafogo, a única da zona sul do Rio, zombou das mazelas do País e mostrou, como diz o seu samba, que "no Brasil, o que é sério é carnaval".O carnavalesco Milton Cunha usou como ponto de partida o holandês Maurício de Nassau, que, a seu ver, instituiu a galhofa nacional no século 17, ao prometer que um boi voaria para o povo do Recife ver. Tudo brincadeira: o boi era, na verdade, empalhado. De lá para cá, a esculhambação não parou mais, na visão da São Clemente.Para evitar confusão, a escola não pôs na avenida o Tio Sam defecando sobre o Congresso, como idealizou Milton Cunha. Mas o símbolo do poder norte-americano estava lá, de calças arriadas, num carro alegórico.Outras alegorias mostraram mazelas brasileiras: o racismo, os celulares nos presídios, o recadastramento de idosos naPrevidência Social.Citado no samba, o debochado Chacrinha foi representado por seu filho, Leleco Barbosa, que usou objetos que pertenciam ao comunicador. Sem padrinho, a agremiação, que foi a vencedora do grupo de acesso no ano passado e por isso voltou à elite do carnaval carioca em 2004, não exibiu fantasias luxuosas nem carros com efeitos de alta tecnologia. Tampouco empolgou o público, que aguardava, na ordem, Caprichosos de Pilares, Unidos da Tijuca, Salgueiro, Grande Rio, Mangueira e Portela.Entre os poucos famosos estavam Miguel Falabella e Elke Maravilha, destaques do abre-alas, e o VJ Max Fivelinha, fantasiado de borboleta. A rainha da bateria, Bruna Almeida, escolhida entre jovens da comunidade, dividiu as atenções com a passista mirim Rafaela, de cinco anos, filha do presidente da escola, Renato Gomes.

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