São Mateus, na zona leste da capital, fica em 1º no ranking

Só uma escola da região não receberá verba do governo; proposta exclui Emeis, que também têm problemas

Maria Rehder e Carina Flosi, O Estadao de S.Paulo

09 de junho de 2008 | 00h00

Os estudantes de ensino fundamental das escolas municipais de São Mateus, na zona leste, são os primeiros de uma lista nada didática. Estudam na região com o maior número de escolas em áreas violentas da cidade, segundo a Prefeitura. A única exceção é a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Coelho Neto, que ficou fora da lista da Prefeitura. Veja a relação de escolas "Não sei o motivo que levou a Emef Coelho Neto a ficar fora, já que está localizada na mesma região das outras", disse um diretor do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem). Não tão distante dali, ocorreu, há dois meses, um seqüestro relâmpago nas imediações de outra escola, a Emef Vila Nova Artigas. A vítima, naquele caso, foi uma professora. "O seqüestro aconteceu à luz do dia, mas a docente está bem e continua a dar aulas", confirmou um funcionário que não quis ser identificado. Ele defende que, antes de receber câmeras, as escolas precisam realizar um trabalho educativo com a comunidade. A Diretoria Regional de Ensino de São Mateus - órgão que supervisiona as escolas municipais daquela área - teve 80 computadores furtados em fevereiro. Pertenciam à Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Orígenes Lessa. Por causa de crimes assim, a Emef Marina Melander Coutinho, na Capela do Socorro, zona sul, instalou há dois anos câmeras na área externa, integradas a um sistema de alarme. A medida evitou o roubo de computadores, segundo um funcionário, mas não inibiu os ladrões que, no fim do ano, roubaram o forno microondas comprado com o valor repartido entre os professores. Não havia câmera no local onde estava o aparelho. "Antes da instalação do sistema de segurança, havia mais ocorrências, mas só câmeras não resolvem. É preciso mais vigias", diz um funcionário. O pacotão da segurança só vai contemplar as escolas de ensino fundamental, que atendem alunos de 1ª a 8ª série, e alguns colégios de ensino médio. O problema da falta de segurança, no entanto, também atinge as escolas de educação infantil. A Emei Zumbi dos Palmares, na Capela do Socorro, teve dois computadores roubados recentemente. "Os ladrões quebraram até a parede. Hoje ainda sobram marcas do remendo do cimento", revela um diretor do Sinpeem. O Centro de Educação Infantil (CEI)Nicolai Nicolaevich Kochergin, segundo o sindicalista, teve até as panelas roubadas. "Depois que descobriram quem roubou, a situação melhorou", afirma. Segundo o sindicalista, as ocorrências de furtos de computadores ou de equipamentos escolares são comuns na região da Capela do Socorro. Ele também defende que a Prefeitura abra mais concursos públicos para vigilantes. Todos os funcionários ouvidos pela reportagem se recusaram a ter o nome divulgado. Temem represálias da Secretaria Municipal de Educação, com base na lei que impede a livre expressão dos funcionários públicos pelos meios de comunicação. PROGRAMA DE PROTEÇÃO Câmeras: Até o próximo mês, quatro câmeras serão instaladas em pontos estratégicos de cada uma das 309 escolas ?de risco?Alarme: O sistema de segurança passará a incluir alarme acionado por sensor e botão de "pânico", que será entregue aos diretores. Ligados a 13 centrais, os alarmes vão acelerar o atendimento de ocorrências pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) e pela Polícia Militar. A instalação de câmeras e sistema inteligente de vigilância patrimonial será supervisionada pela GCM Vigias e segurança: A vigilância patrimonial fará a guarda das 19 às 7 horas. Além disso, a GCM aumentará o patrulhamento, com o redirecionamento das equipes e o aumento de guardas e viaturas nas regiões mais vulneráveis Expansão: A Secretaria de Educação vai estender o programa a outras escolas numa segunda fase do projeto, sem prazo divulgado

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