São Paulo

Uma tradição que passou de italiano para italiano

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

11 de abril de 2009 | 00h00

Com um pouco de sorte, quem vai à Cantina Capuano nas noites de sábado pode apreciar uma exibição de música italiana ao som de clarinete e bandolim, executados pelo proprietário da casa, Angelo Mariano Luisi, de 89 anos. "Não é sempre, pois ele precisa estar disposto", avisa seu genro, Donato Rapolli. A administração do negócio, atualmente, é dividida entre as duas filhas de Luisi - Teresa e Elisabetta - e os maridos - Donato e Cosmo.Fundada em 1907 pelo italiano Francisco Capuano, a cantina é considerada o mais antigo restaurante em funcionamento ininterrupto da cidade - o Carlino, aberto em 1881, ficou fechado durante três anos. O ex-proprietário tinha o hábito de fechar as portas da casa às 20 horas, não importando quem ficasse de fora. Servia o jantar e às 22 horas batia num ferro para mandar o pessoal embora.Também italiano, Luisi veio ao Brasil em 1949. Trabalhou em papelaria e como músico. "Em 1960, estava em uma festa e soube que o Capuano queria vender sua cantina para voltar à Itália", conta, com carregado sotaque. "Então, comprei." Ele conta que, um ano depois, o antigo proprietário retornou e tentou comprar o restaurante de volta. Não teve negócio."Não sou cozinheiro, mas me adaptei bem", afirma ele. Até a morte, três anos atrás, quem comandava as panelas era a "patroa" - como ele diz, referindo-se à mulher, Angela. "Além de minhas filhas e genros, só temos um funcionário hoje", diz. "Um, só."Quando foi fundada, a cantina funcionava na Rua Major Diogo, no Bexiga. Em 1968, se mudou para o endereço atual, na Rua Conselheiro Carrão, 416, no mesmo bairro. Entre os pratos servidos ali, constam itens que, segundo Luisi, seguem as receitas de Francisco Capuano. "A brachola, o cabrito ensopado e o que não pode faltar: o fusili feito à mão ao molho sugo", enumera. O que mudou? As toalhas de papel foram substituídas pelas de pano. E não tem essa mais de mandar todo mundo embora às 22 horas. "Ficamos abertos até o último cliente", garante.

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