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São Paulo: enchente fez autônomo trocar casa com piscina por quitinete e perder ganha-pão

Ariovaldo de Oliveira morava em uma casa com piscina, mas depois da enchente tem vivido de favor

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2020 | 05h00

SOROCABA - Dono de uma casa ampla, com piscina e churrasqueira, em um condomínio de Itu, no interior de São Paulo, o transportador autônomo Ariovaldo de Oliveira Júnior, de 47 anos, agora vive de favor. Desabrigado pela enchente do Rio Tietê após a chuva em 12 de fevereiro, ele, a mulher Renata, de 33 anos, e a filha, de 10, estão alojados na quitinete cedida do vizinho.

A inundação derrubou o muro de 15 metros e invadiu os cômodos. “Perdemos camas, colchões, armários de cozinha, todos os eletrodomésticos, computadores. A mesa de madeira maciça foi parar na piscina”, diz ela. “Era a casa de nossos sonhos, que construímos com sacrifício”, acrescenta o marido.

Ele perdeu ainda um carro e, pior, o pequeno caminhão-baú que usa para fazer fretes. “Quando a enxurrada chegou, levei o caminhão ao ponto alto da rua, onde a enchente nunca chega. Não só chegou, como cobriu o motor. Fiquei 20 dias sem trabalhar, esperando o conserto.” R$ 30 mil de prejuízo, sem contar os dias parados. É toda a renda da família em seis mese

Agricultor morreu ao tentar resgatar amigo

A família do agricultor Adriano Marques de Melo, de 35 anos, que morreu quando ajudava a resgatar outras pessoas em meio a uma enchente, em Araçariguama, também no interior paulista, ainda lida com o vazio deixado pela sua morte. “Ele era muito prestativo, ajudava todo mundo, por isso nós da família e os amigos estamos sentindo muita falta”, diz o advogado Alex do Nascimento, de 38 anos, sobrinho da vítima. Adriano desapareceu no dia 11, uma terça-feira, quando as águas do Rio Tietê transbordaram e alagaram o bairro.

“A casa dele também ficou alagada, a água chegou a quase dois metros e ele perdeu tudo. Mesmo assim, se arriscou na enchente para salvar pessoas que estavam sendo levadas pela correnteza”, disse. Segundo Alex, o tio já havia saído da água, e estava na parte mais alta do bairro com as pessoas que ajudou a resgatar, quando deu pela falta de um amigo. “O outro rapaz havia ficado para trás e ele decidiu entrar na enchente de novo para tentar achá-lo. Não voltou mais.”

Alex conta que os bombeiros foram acionados, mas não conseguiram chegar ao bairro porque a estrada havia sido obstruída pela queda de árvores. O corpo de Adriano só foi localizado na manhã seguinte e sepultado no Cemitério Jardim da Paz, em Araçariguama. Os amigos se referem a ele como um herói, por ter salvado várias pessoas antes de morrer. 

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