São Paulo faz 453 anos com expansão populacional em queda

A cidade de São Paulo está recebendo menos migrantes nos últimos anos, as mulheres continuam compondo a maioria da população paulista, e a idade média do paulistano é a maior dos últimos 100 anos. As constatações fazem parte de um perfil divulgado hoje pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), por ocasião do aniversário de 453 anos de fundação que a cidade completa na quinta-feira, dia 25. "Após 80 anos de incremento e relevante contribuição para o crescimento populacional da capital, o componente migratório passou a registrar saldos negativos", conforme o estudo. Até 2010, estimam os técnicos da Fundação, o índice de crescimento populacional, de 1,1% nos anos 80, deve ser reduzido pela metade: 0,5%. O estudo mostra que a capital paulista, "maior cidade do País e centro de uma das maiores regiões metropolitanas do mundo", tem hoje 10,812 milhões de habitantes. Nos últimos anos também houve redução também no número de moradores por domicílio: de 4,1, em 1980, para os atuais 3,2 habitantes por residência. O número de domicílios, porém, cresceu 63,3% - 3,368 milhões ante 2,062 há duas décadas.MulheresAs mulheres continuam a compor a maioria da população, representando contingente 9% superior do que os homens. A Seade explica: "Isso decorre principalmente de sua maior sobrevivência." De acordo com a Fundação, na faixa de 60 anos ou mais a população de mulheres é cerca de 48% superior do que o esperado da parcela masculina. A idade média do paulistano também aumentou. Em 2007, segundo a Seade, a população ficou mais adulta e sua idade mediana está em 31,3 anos. O fato de as mulheres engravidarem menos colabora para esse dado. Segundo o estudo, nos anos 80 a mulher paulistana tinha em média 3,2 filhos, número que hoje não passa de 2 filhos por mulher. "Assim, a proporção de pessoas com menos de 15 anos, que correspondia a 30% em 1980, passou a 24,2% neste ano", acrescentou o levantamento. Os idosos representam 10% atualmente, contra 6,5% nos anos 80.O estudo da Fundação aponta a reversão em número de mães com menos de 18 anos. Em 1980 elas representavam 3,3% do total de nascimentos, em 98 este porcentual cresceu para 7,6%, e reduziu recentemente para 6,2%. Entretanto, aumentou o número de mães com mais de 35 anos, passando de 9,2%, em 1980, para 13,8% do total de nascimentos atual. "A mudança da composição etária das mães indica uma elevação na idade média ao ter filhos. De fato, a idade média atual de 26,7 anos é uma das mais altas do Estado e certamente sofre influência do alto nível educacional de significativa parcela desta população", avalia a Seade.Nascimentos A pesquisa constata ainda que no ano passado nasceram em média 491 crianças por dia - 30% a menos do que o registrado em 1982, ano em que, segundo a Seade, ocorreu o maior volume de nascimentos da história da cidade (702 por dia). Portanto, diz a Seade, neste ano 179 mil crianças nascidas na capital paulista irão assoprar as velinhas, e os nomes mais ouvidos ao final dos "parabéns" serão: Pedro, Gabriel e João, entre os meninos, e Júlia, Maria Eduarda e Giovana, entre as meninas.No ano passado, de acordo com a Fundação, ocorreram 175 óbitos por dia, em média, número equivalente ao observado no final do anos 80, quando a população paulistana era 15% menor. O estudo ressalta que houve diminuição nos índices de mortalidade infantil: 3,6% ante 21% no início dos anos 80, o que ocasionou redução em mortes em crianças menores de um ano.O estudo avalia, por fim, a questão dos casamentos e divórcios, e comprova que os homens são mais suscetíveis a casarem mais de uma vez do que as mulheres. Os novos casamentos de divorciados entre homens representam 11,2% do total de casamentos legais, enquanto mulheres que voltam a se casar representam 7,4%. Os homens também casam mais velhos do que as mulheres. A idade média ao casar é cerca de três anos maior entre a parcela masculina (31,2 anos) do que entre o lado feminino, que se casa, em média, com 28,4 anos. "O perfil mais freqüente para os casamentos é aquele em que os homens se unem a mulheres mais jovens", diz a Fundação. Em 2006, houve em média 149 casamentos legais por dia na capital paulista, sendo sábado o dia mais escolhido, em que quatro de cada cinco paulistanos optam pelo dia.

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