São Paulo homenageia Santa Paulina

Orgulhosos e preparados para agradecer pelas graças alcançadas, mais de mil fiéis lotaram ontem de manhã a Igreja Imaculada Conceição, no Ipiranga (zona sul), para assistir à missa celebrada pelo arcebispo Dom Cláudio Hummes, em homenagem à Santa Paulina, canonizada pelo Papa João Paulo II em 19 de maio. Não faltaram presentes para saudá-la. Os devotos agitaram bandeiras azuis, brancas e soltaram no céu balões com a imagem da santa. Para animar a comemoração, uma banda organizada pela Polícia Militar também se apresentou. O governador Geraldo Alckmin fez questão de sentar-se na primeira fila, ao lado da primeira-dama, Maria Lúcia Alckmin. Logo no início da missa, às 9h, Dom Cláudio interrompeu a celebração para parabenizar o governador, com aplausos. "O senhor está fazendo um ótimo trabalho". Entre um elogio e outro, o arcebispo disse que existem muitos santos por aí, inclusive políticos. "Ser santo também é procurar fazer o bem dos outros", justificou. Dom Cláudio não demorou muito para lembrar a importância do evento. "Nos reunimos hoje por causa da canonização de Madre Paulina. Apesar de ter nascido na Itália, ela cresceu, viveu, fundou sua congregação e morreu no Brasil. Ela é nossa primeira santa." O arcebispo lamentou que o último censo divulgado pelo IBGE tenha constatado que o número de pessoas que se dizem católicas caiu 10% nos útimos dez anos. Ele atribuiu o resultado ao progresso da ciência e tecnologia e o crecimento de outras religiões. "O mundo está mudando muito rápido. É pluricultural, com muitas opções de religião." Para reverter o quadro, o arcebispo defendeu a evangelização dos católicos, para que eles se identifiquem com a igreja. Após a missa, os fiéis seguiram em procissão para a Capela Sagrada Família, onde estão os restos mortais da santa, que morreu aos 77 anos em 1942. Lá, o governador fez um breve discurso e disse que foi até a capela especialmente para "abraçar" a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Para ver de perto a imagem da santa, que chegou em um carro dos Bombeiros, teve gente que veio de Campos do Jordão, como a agente de serviço Rosângela da Silva, de 30 anos. Ela alugou uma van e trouxe toda a família. "Sou devota de Madre Paulina e por ela sou capaz de fazer qualquer coisa, já que alcancei três graças." Biografia - Amabile Lucia Visintainer, a Santa Paulina, nasceu no dia 16 de dezembro de 1865 na Itália. Veio para o Brasil com dez anos de idade e, em julho de 1890, saiu da casa dos pais para morar em outra casa, local simples, onde ela cuidava de uma mulher que tinha câncer. Assim, Santa Paulina começou sua vocação, dedicando-se até a morte aos doentes. É esse o trabalho realizado até hoje pelas freiras da congregação.

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