São Paulo pára para ver o drama de Silvio pela TV

Aos poucos, quando ficavam sabendo que Silvio Santos estava refém do seqüestrador da filha, na própria casa, as pessoas iam se aglomerando na frente do primeiro televisor que viam nas ruas. No centro de São Paulo, pela manhã, as calçadas estavam calmas e o comércio quase vazio. Somente as lojas de eletrodomésticos atraíram "fregueses", afoitos pelas últimas notícias.O tumulto na porta dessas lojas levou gerentes de algumas, como Eletro, Arapuã e Ponto Frio, a desligarem os aparelhos. "Um rapaz até xingou meu colega que desligou a televisão", comentou o vendedor Agostinho Mateus, de 47 anos. Por causa do racionamento de energia, as lojas costumam manter somente um aparelho funcionando, o que causou muito empurra-empurra. "Tinha tanta gente que fecharam a Conselheiro Crispiniano", afirmou Mateus.Mas um dos locais que mais atraiu curiosos foi a barraca do ambulante Josué Roberto Tedeschi, na esquina da Conselheiro com a Barão de Itapetininga, que tinha dois televisores funcionando. Para ele, no auge do suspense das reportagens de TV, cerca de cem pessoas se espremeram na frente da barraca. "O seqüestro prejudicou um pouco as vendas. Enquanto o Silvio não foi solto, ninguém comprou nada."Curiosidade"Será que vai ter Show do Milhão hoje?", indagou um garotinho, enquanto o vendedor Manuel Alves da Silva, de 58 anos, comentou que "todo mundo" ficou apreensivo com a situação do Silvio. "De manhã, fui fazer uns serviços, mas parava sempre que via uma televisão", disse. "Brasileiro é muito curioso."Não havia esquina sem um grupo ouvindo e fazendo questão de comentar a atitude ousada do bandido. De olhos grudados na TV de um bar, o camelô Sérgio Alexandre do Carmo, de 18 anos, falava da coragem de Fernando Dutra Pinto. "Parece filme: o cara seqüestrou a filha dele, fugiu da polícia e invadiu a casa do Silvio. Ele é peitudo.""Ainda bem que o Silvio saiu bem", disse a faxineira Cremilda Afonso, de 39 anos. "O escritório onde trabalho parou hoje de manhã, ninguém queria saber de mais nada", observou. "Soube da situação no ônibus, quando vinha para o trabalho", completou Juliana Bezerra da Silva, de 18 anos. "Não acreditei, fiquei chocada."

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