São Paulo quer bilhete personalizado para transporte coletivo

A Secretaria Municipal de Transportes quer transformar os cartões de bilhete único em pessoais e intransferíveis. Um dos objetivos da medida é recolher, gradualmente, os cerca de 3,5 milhões de bilhetes sem crédito soltos no mercado, que têm sido usados na aplicação de golpes e fraudes contra o sistema de transporte coletivo. A idéia foi anunciada nesta quarta, no dia em que o ´Jornal da Tarde´, do Grupo Estado, revelou com exclusividade que uma máfia de perueiros da zona sul, especializada em fraudar bilhete único, tem transportado até 700 mil passageiros fantasmas em suas linhas. O golpe é aplicado da seguinte forma: os perueiros estacionam os microônibus em postos de gasolina ou terrenos baldios. Mesmo parados, passam os bilhetes pelos validadores para aumentar o número de passageiros transportados e, assim, elevar criminosamente o faturamento. A SPTrans, órgão gestor e fiscalizador do transporte coletivo, estima que entre 100 e 120 perueiros associados da Cooperpam estejam envolvidos no esquema criminoso. Segundo o presidente da cooperativa, Luiz Carlos Pandora, a Cooperpam auxiliou a SPTrans na apuração do golpe, fornecendo informações e documentos. O órgão já comprovou a participação de 13 operadores na fraude e os denunciou anteontem à Polícia Civil. Hoje de manhã, os acusados foram suspensos de suas atividades e, ao final do processo administrativo, serão excluídos do sistema.Foi instaurado inquérito contra os acusados, por estelionato e formação de quadrilha. O secretário municipal de Transportes, Frederico Bussinger, afirmou que a SPTrans já sabe que todos os cartões utilizados pela quadrilha, assim como os que vêm sendo descobertos em golpes individuais, são de crédito zero. "Daí a idéia de fazer uma campanha de conscientização que leve à personalização dos cartões." Bussinger diz que 40% dos 8 milhões de cartões de bilhete único que estão no mercado são sem crédito. "Esse derrame de cartões na praça ocorreu porque o usuário pensa que o cartão é descartável. Não é. A vida útil dele é de três, podendo chegar a cinco anos", disse o secretário. O cartão personalizado poderá ser adquirido nos postos de compra do bilhetes. Ele explicou que a personalização dos bilhetes não será obrigatória porque pode ferir os direitos do passageiro.

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