São Paulo quer inovar ensino profissionalizante

Inovar o ensino profissionalizante no Estado, para que este seja mais abrangente ou polivalente e assegure aos jovens o domínio básico dos recursos oferecidos pelas novas tecnologias. Este é o tema principal dos encontros que a Secretária da Educação de São Paulo, Rose Neubauer, mantém em Paris, a fim de estabelecer acordos de cooperação com organismos franceses nesse e em outros setores.A secretária paulista e colegas de outras regiões do Brasil vieram a Paris a convite do governo francês para participar do Salão da Educação, que acontece na ?Porte de Versailles?.A delegação brasileira visitou, nesta quinta-feira, o Centro de Formação de Professores para o Ensino Profissional (nível médio) de Creteuil, na região de Paris, depois de uma audiência com o Ministro do Ensino Profissional, Jean-Luc Melanchon.FrancêsAlém da cooperação no campo da educação tecnológica, Rose Neubauer solicitou ao Ministro o apoio necessário a fim de que o francês seja introduzido nos centros para o ensino de línguas estrangeiras destinados aos jovens inscritos em formações profissionalizantes.Ela afirmou que, por causa da demanda cada vez maior, o número dos centros será aumentado em São Paulo, de 50 para 80, aproximadamente. ?Já existe a consciência, entre as camadas mais modestas da população, de que saber uma segunda língua estrangeira, além do inglês, aumenta as possibilidades da pessoa no mercado de trabalho?, frisou.O entusiasmo de Rose Neubauer pelas inovações francesas em matéria de educação tecnológica de nível médio se explica também pelo fato de elas serem mais ou menos equivalentes às que estão sendo introduzidas no ensino paulista.Educação abrangenteSintetizando para o Estado o sentido da inovação, ela afirmou: ?Não se vai mais ministrar aquela educação muito específica, em geral voltada para as antigas profissões, como as de secretária e contador, por exemplo, mas sim um ensino que instrumente o jovem com as noções e as práticas essenciais das novas tecnologias, uso dos inumeráveis recursos do computador, da informática, etc. capazes de ser aplicados em diferentes atividades, da mesma forma que os Institutos de Educação Superior vão formar físicos, matemáticos, químicos dentro de uma visão mais abrangente e interdisciplinar, que favoreça outras opções profissionais e facilite a inserção do jovem no mercado de trabalho?.A secretária paulista espera contar com a cooperação francesa para acelerar a formação de professores destinados ao ensino técnico dentro dessa concepção inovadora.?Aí reside nosso principal problema: sem bons formadores, atualizados, familiarizados com as possibilidades da informática, da Internet, nossos projetos não poderão desenvolver-se a contento?.AutoritarismoA educação autoritária, sobretudo nos ciclos primário e secundário, baseada nas reprovações em massa, foi outra anomalia do ensino paulista e brasileiro apontada por Rose Neubauer, ao falar, nesta quinta-feira, no auditório do Salão da Educação para um público de especialistas europeus.?Apesar das teorias de Paulo Freire, de Piaget e de outros tantos eminentes mestres sobre o principio do ?respeito ao educando?, da ?consideração pelas suas virtualidades latentes?, da participação do aluno no ?modus faciendi? contínuo da pedagogia, continuamos a ter no Brasil a escola do sofrimento, do castigo, que toma o fracasso pela reprovação como meio de obter maior amadurecimento moral da criança e do jovem, do que sempre duvidei?, afirmou.Cultura da reprovaçãoSegundo a secretária, em São Paulo as reprovações atingem 25% das crianças e adolescentes. E acrescentou: ?Isso tem um custo social enorme e um custo pessoal terrível. Muitas e muitas vezes são crianças que desde os 7 anos de idade são rotuladas de ?perdedoras?, ?fracassadas?. Cria-se cedo um problema de auto-estima para jovens que acabam abandonando a escola e se entregando ao mundo da violência?.Rose Neubauer afirmou que ?a cultura da reprovação? está sendo combatida em São Paulo, mas a tarefa não é fácil, porque, em suma, setores ponderáveis do magistério ainda vêem na reprovação o instrumento com o qual o professor exerce sua autoridade, seu poder na avaliação de quem se atrasou nos estudos.Escola de sofredores?Não se trata de avaliar o atraso, mas de verificar como a criança ou o jovem podem avançar a partir do potencial que exprimiram nas aulas, nos deveres e nas provas. É preciso levar mais em conta as formas de desenvolvimento do aluno.?Aplaudida, Rose concluiu que o professor deve exercer o poder não pela reprovação, mas pela capacidade de guiar a criança para o caminho do saber. ?Mas, para tanto, precisamos formar educadores na cultura do sucesso responsável, comprovado, obtido numa escola alegre, acolhedora e não numa escola de sofredores.?

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