São Paulo tem fila para tratamento antifumo

Antes de lei ser aprovada, 550 ainda aguardavam atendimento

Emílio Sant´Anna, Vitor Hugo Brandalise e Edison Veiga,

09 de abril de 2009 | 00h21

Antes mesmo de a Assembleia Legislativa aprovar um projeto que bane o fumo de lugares fechados, a espera por tratamento - para quem procura se livrar do tabagismo - está entre seis meses e um ano. Duas emendas à lei antifumo paulista preveem a realização de campanhas de conscientização e a obrigação do Estado em fornecer os medicamentos. O problema é que 550 pessoas já aguardam nos dois principais centros de tratamento da capital e faltam medicamentos, fornecidos pelo governo federal.

 

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De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, 250 pessoas esperam a abertura de grupos terapêuticos no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod). No Instituto do Coração (Incor), ligado ao Hospital das Clínicas de São Paulo, outras 300 esperam o mesmo tratamento.

 

Os números demonstram ineficiência na rede de atendimento ao fumante do Estado. No ano passado, de acordo com o Instituto do Câncer (Inca), dos 88 serviços capacitados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para oferecer tratamento completo a quem deseja parar de fumar, apenas 53 ofereceram algum atendimento.

 

De 1.388 pacientes avaliados nas unidades básicas de saúde, apenas 952 passaram pela primeira sessão. A secretaria afirma que o acesso aos serviços cresceu 13,6% entre 2006 e 2007, mas não informa quantos pacientes se tratam hoje nem qual é o tamanho da demanda total reprimida. Cada paciente custa, para o governo do Estado, entre R$ 400 e R$ 900.

 

A falta de medicamentos é outro problema crônico entre as instituições, segundo a diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor, Jaqueline Issa. No último trimestre de 2008, nenhum medicamento para tratamento de fumantes foi enviado para o Incor pelo Ministério da Saúde. Em um ano, quando 600 pacientes poderiam ser atendidos, cerca de 400 são acompanhados.

 

Quando vêm, os remédios não suprem as necessidades: entre julho e setembro de 2008, o governo federal enviou ao Incor 600 comprimidos de Bupropiona (droga que complementa adesivos cutâneos), suficientes para o tratamento de 3 pacientes, num universo de cerca de 90. "Diminuímos as vagas para não interromper o tratamento, o que seria fatal a quem tenta largar o vício", explica Jaqueline. "O sistema de distribuição do Ministério é ineficiente. Tem de melhorar, para acompanhar a nova lei."

 

Para o secretário de Estado de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, ainda não é possível saber se a demanda crescerá a ponto de precisar ampliar a rede de atendimento. "A entrada em vigor da lei não vai, necessariamente, fazer com que as pessoas deixem de fumar."

 

Essa não é a expectativa de Paula Johns, diretora da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT). Além da aprovação da lei estadual, o aumento no preço do cigarro contribui para que cada vez mais pessoas procurem tratamento. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a cada aumento de 10% no valor dos maços, há decréscimo de 8% no número de fumantes nos países em desenvolvimento. "A demanda vai crescer e será ainda maior do que a oferta do Estado", afirma Paula.

 

Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, estudos demonstram que 70% dos fumantes manifestam desejo de largar o vício. A nova legislação, de autoria do governador José Serra, deixa como opção para os fumantes as residências, a rua e as tabacarias. Serra está em viagem, nos EUA, e deverá sancionar a lei em 15 dias.

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