São Paulo tem mais focos de dengue do que em 2001

Alerta para o próximo verão: na capital paulista, o número de focos do mosquito transmissor dadengue detectados até agosto supera o total de todo o ano passado. De janeiro a agosto deste ano, foram identificados 7.954 focos no município. O número é 42% maior do que os 5.586focos registrados em 2001.Durante os meses de temperatura mais amena, as pessoas tendem a se esquecer dos cuidados com a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti. Mas os especialistas são unânimes:mesmo se houvesse um inverno dos mais rigorosos, as pessoas não poderiam se descuidar.Não importa a estação do ano, a eliminação dos criadouros de mosquito precisa ser hábito. "Os focos apareceram mesmo no inverno, que aliás nãohouve", explica Pedro Bonequini Júnior, gerente do Projeto Prioritário Dengue da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.Para ele, o maior número de focos também se justifica por causa da ampliação do trabalho dos agentes de zoonoses de um ano paraoutro. A maior parte dos focos do mosquito ainda é encontrada em pratinhos de vasos de plantas e recipientes removíveis como baldes e bacias, além de entulho.Caixas d´água destampadas são o segundo lugar mais freqüente dos focos de Aedes, seguidas por latas, potes e frascos e, por último, pneus.Na Grande São Paulo, a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) detectou maior dispersão do mosquito de 2001 para 2002. "Caieiras, Cotia e alguns bairros de Arujá não tinham Aedes em 2001, mas já têm este ano", afirma José Carlos Rehder, diretor técnico da Grande São Paulo da Sucen.Engana-se quem pensa que o Aedes desaparece no inverno. Como vários outros insetos, ele continuapresente, só que mais recolhido. Falta de chuva não é obstáculo para os ovos do inseto - eles duram até um ano em ambiente seco.Assim que o ovo entra em contato com água, ele se abre e libera uma larva. Em uma semana, a larva será um novo mosquito. "O Aedes se adaptou a pequenos criadouros", alerta o biólogo Delsio Natal, professor da Faculdade de Saúde Pública daUniversidade de São Paulo (FSP-USP).Recipientes minúsculos, como uma tampinha de garrafa, são suficientes para a reprodução domosquito. Natal afirma que os fatores climáticos - calor e chuva - são ideais para a proliferação do mosquito Aedes.Mas o biólogo esclarece que o fator humano ainda é o principal. "Se cuidássemos bem dos resíduos sólidos e reciclássemos as embalagens descartáveis, a população de Aedes diminuiria."Desde o começo do mês, cada uma das 31 subprefeituras da capital estão realizando encontros regionais para planejar açõeslocais de controle do Aedes. "É agora que temos de nos cuidar", afirma Bonequini Júnior. As reuniões são abertas à comunidade. "E as pessoas devem participar." Para isso, basta procurar asubprefeitura mais próxima de casa.

Agencia Estado,

21 de outubro de 2002 | 20h07

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