São Paulo terá três tarifas de ônibus diferentes

O novo sistema de transporte coletivo da cidade, que vai começar a valer em julho do próximo ano, terá três tipos de tarifas. Os preços serão diferentes para quem circular nas duas grandes linhas: a estrutural, operada pelas empresas, e a local, sob a responsabilidade de perueiros regulamentados e ônibus bairro a bairro. As mudanças foram anunciadas nesta quinta-feira junto com a nova tarifa, de R$ 1,70, que entra em vigor em 12 de janeiro. Os editais para as concessões e permissões do sistema serão publicados até o fim deste mês, de acordo com o coordenador de implantação do novo sistema, Carlos Alberto Carmona. O decreto que regulamenta a Lei 13.241, assinada por Marta Suplicy (PT), será publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial e não prevê a volta dos subsídios às empresas. A cidade será dividida em oito áreas para as linhas estruturais e o mesmo número para as locais. As concessões, que poderão ser disputadas por consórcios ou empresas independentes, terão prazo de dez anos, prorrogáveis por mais cinco. E as permissões, de sete anos, são renováveis por três. ?A idéia é que o sistema permita a redução, em 15%, no tempo da viagem?, justificou Carmona. Como o atual contrato emergencial se encerra em 31 de janeiro, será assinado um novo acordo até o fim da concorrência. O novo sistema, cuja licitação será de âmbito nacional, para permitir a vinda de novas empresas ao sistema, prevê que as linhas estruturais ligarão todas as regiões da cidade, enquanto as locais circularão apenas pelos bairros. O decreto prevê a criação de duas novas empresas, com a participação da Prefeitura e das próprias concessionárias que se encarregarão da gestão financeira e da regulação do sistema. As empresas vencedoras vão reformar e gerenciar os atuais terminais de ônibus e os novos que venham a ser construídos. Os passageiros pagarão três tipos de passagem: a estrutural, no valor da tarifa atual, com direito a mais duas integrações, a local, que custaria cerca de R$1,00, e a temporal, que poder chegar ao dobro da tarifa para quem tiver que pegar mais de três ônibus. A remuneração das empresas seguirá um novo modelo diferente do atual. Cada consórcio pode ganhar até três áreas. A região central da cidade será dividida e operada pelos concessionários das oito áreas. As atuais cerca de 1,5 mil linhas serão diminuídas para cerca de 900 e não serão permitidas peruas no sistema. Assim, os motoristas terão de trocar seus veículos por microônibus, vans ou miniônibus. As principais diferenças do novo sistema da proposta apresentada pelo ex- secretário Carlos Zarattini, de acordo com o coordenador, são a diminuição de dez para oito áreas para concessão. A prefeitura pretende construir 26 terminais ao custo de R$ 130 milhões, que se somarão aos 6 já em construção. Qualidade?Os empresários não merecem nem esse valor pela qualidade de serviço que prestam?, afirmou o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, em respostas às criticas do sindicato patronal Transurb sobre a nova tarifa de ônibus, fixada em R$ 1,70. Os empresários pedem R$ 2. De acordo com Tatto, com a nova tarifa, São Paulo deixa de ser uma das cidades com a mais alta passagem de ônibus do Brasil. ?Ninguém gosta de aumentar preços, mas também não podemos quebrar o sistema?, justificou. O que mais pesou na composição da nova tarifa, que vigorará a partir de 12 de janeiro, foi o aumento de 64% do óleo diesel e 54% nos lubrificantes, além de dois dissídios de trabalhadores no período. Segundo Tatto, a saída para a crise no transporte coletivo está nas novas concessões do serviço, a serem anunciadas até o fim do mês, para o novo sistema, que funcionará a partir de julho de 2003. ?Acho pesado esse valor para população?, reconheceu. Tatto afirmou que a concessão vai tirar do sistema os maus empresários. InsuficienteEm nota divulgada à imprensa, o Transurb ?reitera que o reajuste da tarifa de ônibus para R$1,70 é insuficiente para a manutenção do sistema de transporte coletivo na capital?. De acordo com o sindicato, desde maio de 2001, insumos como combustível, lubrificantes e peças sofreram reajustes acima da média da inflação. O Transurb afirma também que o número de passageiros teria diminuído: quando o cálculo da passagem atual (de R$ 1,40) foi feito, a média de passageiros por dia era de 94,7 milhões. Hoje, seria de 88 milhões. Além disso, ressalta que o número de estudantes teria dobrado no período: de 7,5% dos passageiros para 15%.

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