São Paulo vive mais uma noite de ataques do PCC

No final da noite de segunda-feira, às 23h40, a Base Comunitária do Parque São Francisco, de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, foi o alvo da vez. Os bandidos, por volta de quinze, segundo testemunhas, atiraram muitas vezes contra as paredes da base. Alguns dos disparos teriam atravessado a base e atingido uma padaria do outro lado da rua, que ainda estava aberta. "Por sorte não acertou ninguém", disse um dos PMs da base que preferiu não se identificar temendo represália."Não tivemos reação. Ouvimos os disparos nas placas e, até entender o que está acontecendo... só sei que foi todo mundo pro chão". Os criminosos chegaram à base a pé, por meio de um túnel que atravessa uma galeria. Depois de efetuarem os disparos, eles voltaram pelo mesmo túnel onde, do outro lado, se encontravam os carros utilizados para a fuga. "Alguns fugiram a pé mesmo, mas eles se misturaram com os passageiros que desciam do trem e a gente não podia atirar, fizerem de caso pensado, foi tudo bem planejado", disse o soldado.Ainda no final da noite de segunda, entre 21 e 22 horas, dois ônibus, um na Vila Olímpia, zona sul, e outro em Pereira Barreto, na zona norte, foram incendiados. O procedimento foi o costumeiro, com os bandidos armados e com coquetéis molotov pedindo para que todos descessem do veículo para, então, atearem fogo. O caso de Pereira Barreto foi registrado no 87º DP e o da Vila Olímpia, na Avenida Juscelino Kubitschek foi atendido pelo 15º TransporteAinda que a SPTrans tenha anunciado que a frota de todas as linhas operariam na noite de segunda-feira em 100%, foi possível encontrar passageiros desolados nos pontos de ônibus durante a madrugada desta terça. "Já era pra ter passado o ônibus há meia hora, vou esperar mais um pouco e ir pra casa dormir", disse Guilherme Barbosa, de 46 anos, que trabalha como cobrador de ônibus e esperava o coletivo que o leva todos os dias para a garagem onde trabalha. Ele, que estava na zona leste da cidade - ponto mais afetado pelo recolhimento de ônibus já na noite de segunda - esperava por um veículo da linha Parque D. Pedro-Guaianazes. "Se não vier, vou pra casa a pé. São 40 minutos de caminhada, fazer o quê?", disse.Também na zona leste, na região de Cidade Tiradentes, ainda no final da noite de segunda, alunos da EMEF Saturnino Pereira sofreram com a falta de condução. "Nem ônibus, nem lotação, não passa nada", disse Mariana Maiara Correa Marques, de 17 anos. Ela esperou no ponto por mais de uma hora junto de suas amigas Jéssica e Paula. "Agora está vindo um amigo nosso pegar a gente. Ainda bem, se não como a gente iria voltar pra casa?", perguntou Jéssica Alves Oliveira, de 15 anos.

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