São Sebastião derruba imóveis para conter crescimento desordenado

Nos últimos dois anos a prefeitura de São Sebastião, no litoral Norte paulista, demoliu cerca de 230 construções irregulares que estavam em áreas de risco, áreas públicas ou de preservação ambiental. A derrubada faz parte da ação demolitória promovida pela administração pública e realizada em parceria com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Polícia Ambiental. Em São Sebastião existe uma grande preocupação com o crescimento desordenado de novos bairros na periferia, já que a cidade tem 75% de sua área pertencente ao Parque Estadual da Serra do Mar. "Se a construção estiver em áreas de risco, pública ou de preservação permanente, não tem como esperar, temos que agir rápido antes que a construção seja concluída", afirma o diretor municipal de Meio Ambiente, Nivaldo Simões. O diretor ressalta porém que nenhuma demolição ocorreu com pessoas morando nas casas. "A maioria são construções ainda no início da obra". Ele ressalta que durante a fiscalização das áreas onde é proibido construir, os funcionários da prefeitura orientam os moradores e apreendem material de construção para que a obra não seja iniciada. "Temos centenas de apreensões de material". Dos cerca de 1.200 imóveis vistoriados por apresentarem alguma irregularidade, 600 estão em área de risco de deslizamento ou enchente. A informação é da Defesa Civil do município. "São áreas onde há risco de deslizamento, de inundação ou enchente causada pelas ondas do mar", explica o chefe da Defesa Civil, Luiz Figueiredo. Segundo ele, foram detectados 50 pontos de risco, sendo nove com possibilidade de escorregamento de terra. "Em dias secos, monitoramos essas áreas a cada 48 horas. Mas quando chove, a cada seis horas". Para Figueiredo, a população tem ajudado a inibir novas moradias irregulares. "Essas pessoas ocupam esses lugares por falta de opção, mas agora estão nos ajudando a impedir que novos moradores cheguem, através de denúncias". Para evitar ações drásticas, como a derrubada de imóveis, a administração pública começa a fazer amanhã um trabalho de orientação nos bairros da periferia. As 80 famílias da vila Lobo Guará, região de Camburi, que vivem em casas em situação irregular, vão receber orientações para evitar inundações, deslizamentos, mas principalmente, novos moradores. No local, a maioria das casas foram construídas em palafitas, para evitar enchentes. "As demolições e apreensões são medidas temporárias. O que precisamos é da conscientização das pessoas, para que evitem novos moradores neste processo de contenção de novas moradias irregulares" disse Simões. Segundo ele, além dos moradores, também terão que colaborar com a cidade imobiliárias e corretoras que vendem terrenos irregulares, cartórios que fazem o registro da escrituras e até as lojas de material de construção.

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