São Vito, invadido por sem-teto em SP, pode ser demolido

Invadido por grupos de sem-teto na madrugada desta segunda-feira, 9, o edifício São Vito, na região central de São Paulo, pode vir a ser demolido e a área do seu entorno reurbanizada, segundo o prefeito Gilberto Kassab (DEM, ex-PFL). De acordo com informações da Rádio Eldorado AM, após a definição do futuro do prédio, os seus ex-moradores serão encaminhados à moradias no centro da cidade. Até a conclusão do projeto, Kassab não descarta totalmente a retomada do pagamento do Bolsa Aluguel aos antigos habitantes, benefício suspenso nesta administração. Em entrevista à radio, ele disse que a prefeitura tem procurado dar suporte às famílias de sem-teto por meio de ações compatíveis com o orçamento da cidade. "É uma das nossas prioridades. São famílias que precisam do seu teto e existe programas importantes desenvolvidos em parcerias com o governo do estado e governo federal que foram lançados, que estão em execução", declarou. "Esperamos ao longo do tempo resolver parte expressiva desta demanda, porque são famílias que merecem da parte do poder público toda atenção possível; famílias que moram em cortiços, em favelas ou em condições inadequadas, e que têm portanto de parte do poder público obrigação de estar ao seu lado." Atualmente, seriam necessários cerca de R$ 34 bilhões para solucionar o déficit de 800 mil moradias da capital. Segundo o prefeito, projetos arquitetônicos como o antigo conjunto habitacional Cingapura não são prioritários, e sim a obtenção de verbas para erguer moradias. Kassab afirmou que a prefeitura está disposta a negociar pacificamente com os sem-teto. A invasão Um total de 320 famílias invadiu, no início da madrugada o Edifício São Vito, tradicional prédio paulistano localizado na Avenida do Estado, em frente ao Mercado Municipal, na região do Parque Dom Pedro, no centro da cidade. A invasão foi realizada por integrantes de oito movimentos, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto da Região Central e o Movimento dos Sem-Teto do Centro. Policiais militares foram acionados minutos após a invasão e deram um prazo de meia hora para que as famílias desocupassem o edifício, que possui 26 andares e, de acordo com projeto da Prefeitura de São Paulo, será demolido. Como os invasores negaram-se a sair, os policiais usaram bombas de efeito moral. Na confusão, algumas pessoas ficaram feridas. Às 3h30 desta madrugada, das 320 famílias apenas 70 ainda permaneciam no interior do São Vito. Pela manhã, a situação no local já havia sido normalizada. Segundo a coordenadoria dos movimentos envolvidos na invasão, esse tipo de ação será freqüente a partir de agora na capital, pois 1.250 famílias teriam perdido o benefício do Bolsa Aluguel, concedido pela gestão Marta Suplicy para famílias de baixa renda. O contrato durou 30 meses e não foi renovado pela atual gestão. Na madrugada do último dia 26, um total de 300 sem-teto já haviam invadido um prédio localizado na Rua Mauá, também no centro da capital paulista. O local, onde já funcionou o Hotel Santos Dumont, foi abandonado há mais de 10 anos e já havia sido invadido em 2005. Polêmica Em novembro de 2006, foi divulgado que o estudo técnico que decidirá o futuro do Parque D. Pedro II, na região central de São Paulo, será concluído até o fim do ano e irá sugerir ao prefeito Gilberto Kassab a demolição dos edifícios São Vito e o vizinho Mercúrio. A medida permitirá a abertura de uma esplanada ligando o Mercado Municipal e o Palácio das Indústrias. Na ocasião, o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, citou que o mercado e o futuro Museu da Criança, a ser instalado no Palácio das Indústrias, constituirão dois pólos de atração de visitantes, por isso a idéia de ampliar o espaço. O plano de obras inclui também a demolição do Viaduto Diário Popular e a construção de uma passagem de nível sobre a Avenida do Estado e o Rio Tamanduateí. Ao indicar a demolição do São Vito, Matarazzo põe fim a uma novela de dois anos, quando o edifício de 600 unidades foi desocupado sob a promessa de passar por reforma e servir de moradia popular. A idéia de demolir o prédio foi ventilada em 2006 ano e não incluía o vizinho Edifício Mercúrio, com 24 andares e 144 apartamentos, entre quitinetes e um dormitório. Porém, desde a construção, na década de 50, ambos os condomínios são geminados, dividindo paredes. O Mercúrio é mais antigo do que o São Vito. A construção foi autorizada em 1952 - originalmente como hotel - e o Habite-se especial, expedido em 1955. A obra foi incorporada pela Zarzur e Kogan, a mesma do São Vito, que começou em 1954 e foi concluído em 1959.

Agencia Estado,

09 Abril 2007 | 16h33

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