Sapucaí também é o templo da gula

Paella, trutas, endívias e comida japonesa estão entre as diversas iguarias servidas pelos chefs aos foliões

Jacqueline Farid, O Estadao de S.Paulo

24 Fevereiro 2009 | 00h00

A Marquês de Sapucaí não é só o templo do samba. É também da gastronomia. Os que acreditam que a luxúria é o único dos sete pecados capitais a se destacar no Sambódromo não conhecem o poder que a gula exerce no carnaval. Chefs festejados, cardápios sofisticados e algum desperdício compõem o menu dos camarotes. A quantidade de comida é contada em toneladas e os pratos são servidos aos milhares. O Scala, do empresário Chico Recarey, oferece cerca de 3.600 pratos em cada noite de desfile em 300 camarotes. Entre os preferidos, paella valenciana "com muito camarão e lagosta", segundo a gerente de Vendas da empresa, Leni Francisco. "Sempre acompanhada de um bom champanhe", emenda. São mais de cem paellas preparadas por noite, para 12 a 48 pessoas. Mas há também variados salgadinhos e canapés, comida japonesa e trutas, como contam alguns dos 400 garçons do restaurante do Scala no Sambódromo. É claro que, dessa festa, sobra muita comida, e o destino do que fica nas bandejas e pratos é narrado de forma distinta por garçons e a gerência. Garçons que preferem não se identificar garantem que toda comida não consumida vai para o lixo. Outros atestam que bombeiros e o pessoal de limpeza do Sambódromo são os degustadores do "barranco", nome popular do que fica intacto nas mesas de restaurantes. Leni afirma que o destino escolhido para as iguarias rejeitadas está nas instituições de caridade. "Todas as frutas e comidas são distribuídas", explica. O presidente Lula, que viu o desfile da Beija-Flor na madrugada de segunda, provavelmente teve de escolher entre os quitutes da chef Samantha Aquim, do Aquim Buffet, responsável pelas delícias apreciadas no camarote do governador do Rio, Sérgio Cabral. Preparado para 200 a 250 convidados por noite, o cardápio inclui salada de lagosta com maçãs verdes e endívias ou pernil de vitela assado com especiarias e servido em redução de seu molho e vinho do porto. Doces como gateau de frutas vermelhas, miniquindins e miniaturas de cocadas brancas com certeza foram desafio para a silhueta presidencial. No camarote da Brahma, ponto de encontro de celebridades na Marquês de Sapucaí, a chef Flavia Quaresma preparou o cardápio, que teve como base sabores brasileiros. Dezoito toneladas de comida foram oferecidas aos 1.200 convidados dos dois dias. Os números do restaurante do camarote impressionam: são 150 quilos de arroz e 30 do queijo pecorino de ovelha. Cem litros de azeite de oliva extravirgem fizeram companhia a 150 quilos de filé mignon e 300 litros de molho de tomate, além de 300 quilos de queijo parmesão grana padano, entre outras iguarias. Na concorrente Nova Schin, cujo cardápio foi elaborado pelo chef geral do grupo Fasano, Salvatori Loi, não haverá estranhamento entre o luxo da comida e os convidados. "O público da Nova Schin é elitizado e está acostumado com a comida do Fasano", diz.

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