Saquarema não deve ter outros deslizamentos, diz Defesa Civil

Duas crianças morreram soterradas após dia de forte chuva na cidade; em Campos, 35 mil seguem sem casa

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2008 | 18h23

Após a morte de duas crianças, a Defesa Civil de Saquarema, na Região dos Lagos, no Rio, informou nesta segunda-feira, 29, que não há risco de mais desmoronamentos na cidade. "Este foi um caso atípico. Vamos avaliar o que ocorreu, mas não há qualquer risco de acontecer isto, principalmente nas áreas turísticas", disse o coordenador Luís Alberto Nessrala. O órgão está de prontidão até o final do Carnaval, no período chuvoso.   Veja também: Doze cidades do Rio continuam em situação de emergência   O Corpo de Bombeiros resgatou nesta madrugada os corpos dos dois garotos que morreram soterradas após um deslizamento ocorrido na tarde de domingo, no bairro de Rio Mole. A tragédia aconteceu após um dia de intensa chuva na região que fica na divisa com a cidade de Rio Bonito, onde 87 pessoas permanecem desabrigadas. Agora subiu para cinco os mortos em decorrência das chuvas desde o dia 15. No sábado, um homem morreu arrastado pelas correnteza de um riacho em Cardoso Moreira, no noroeste do estado.   De acordo com familiares de Carlos Udison Mendonça Ferreira, de 4 anos, e Evandro Júnior Mendonça Ferreira, de 12 anos, os dois brincavam dentro de casa quando foram surpreendidos por um estrondo, por volta das 18h40. "O deslizamento aconteceu em uma área de mata fechada e não degradada. Os detritos que desabaram mostram isso, porque caíram sobre a residência apenas pedras, árvores e galhos. A casa ficou destruída", afirmou o coordenador da Defesa Civil de Saquarema.   O deslizamento também atingiu uma outra casa da família no mesmo terreno, que foi interditada pela Defesa Civil. Chocadas com as mortes das crianças, três pessoas da família passaram mal e foram atendidas pelos bombeiros.   Campos   Cerca de 35 mil pessoas permanecem desabrigadas ou desalojadas no município de Campos, no norte fluminense, segundo a Defesa Civil do Estado. Após voltar a subir durante o final de semana, o nível da água Rio Paraíba do Sul, que corta a cidade, voltou a descer nesta segunda. "Como o tempo melhorou, o número de desalojados deve cair pela metade até quarta-feira, pois muitas pessoas devem voltar para casa", afirmou o coordenador regional da Defesa Civil, Moacir Pires.   Além da trégua da chuva, Pires afirmou que o corte de quatro metros no trecho entre Campos e Itaperuna para o escoamento da água do Paraíba do Sul também contribuiu para a baixa do rio. O corte foi feito a pedido do Ministério Público estadual pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit), que interditou a BR-356, no trecho entre Campos e Itaperuna, no sentido Cardoso Moreira.   Seis municípios do interior do estado foram atingidos pelas chuvas. A cheia do Rio Muriaé alagou o Centro de Itaperuna, no norte fluminense. Até esta tarde era possível chegar ao hospital particular São José do Avaí apenas de barco. Em Natividade, duas casas desabaram, mas ninguém ficou ferido.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.