Saques e deslizamentos são as grandes ameaças no MA e BA

Tempestades continuam a castigar o NE e liberação de comportas pode causar mais estrago

Eliana Lima, Wilson Lima e Luciano Coelho, O Estadao de S.Paulo

11 de maio de 2009 | 00h00

A chuva continua castigando os Estados do Nordeste do Brasil. A elevação cada vez maior do nível dos rios em diversas cidades do Maranhão trouxe um grave problema de segurança pública. Bandidos aproveitam o abandono de centenas de residências e comércios para saquear telhas, tijolos, portas e janelas. Em Salvador, num único bairro, 50 casas desabaram num período de 24 horas. Outras 50 estão condenadas pela Defesa Civil. No Piauí, o Rio Poti baixou o nível e voltou ao leito normal, mas agora o Rio Parnaíba ameaça as famílias que moram em cidades ribeirinhas.No Maranhão, por causa dos saques, muitos moradores das cidades alagadas evitam sair de casa. Essa situação é mais visível em Trizidela do Vale, Pedreiras e Bacabal, as mais atingidas pelas chuvas.A Polícia Militar da cidade de Trizidela do Vale admite o problema e tem intensificado as rondas. Em lanchas e barcos, 40 homens fazem patrulhamento ostensivo no local. "Mas não é uma tarefa fácil. Os bandidos aproveitam sempre quando não estamos próximos", analisa o comandante da 14ª Companhia de Polícia do Maranhão, José Maria Honório.Pelos dados da Defesa Civil do Estado, já existem 65 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas e 196 mil atingidos. As chuvas deixaram 72 cidades em situação de emergência, total que representa um terço dos municípios do Maranhão. EFEITO DOMINÓNa Bahia, números da Secretaria Municipal do Trabalho, Assistência Social e Direitos do Cidadão (Setad) mostram que chega a 500 o número de famílias desabrigadas em consequência das precipitações. No bairro de Paripe, em Salvador, os imóveis, localizados na Rua de Deus, caíram em efeito dominó. Embora não tenham sido registradas vítimas fatais, as perdas materiais para as famílias foram totais. Os técnicos da prefeitura acreditam, porém, que pode chegar a 200 o número de casas condenadas caso a chuva persista. A explicação para a tragédia vivida pelos moradores pobres de Paripe está no próprio solo, de massapé, que se expande com a absorção da água. Uma faixa de terra de cerca de 500 metros por 1,2 quilômetro de largura deslizou, destruindo ainda todo o sistema de esgoto, derrubando poste de eletricidade, comprometendo o abastecimento de água e o fornecimento de energia elétrica.No Piauí, com o transbordamento do Rio Parnaíba, a Avenida Maranhão, em Teresina, que margeia o rio, ficou submersa. Várias residências em regiões mais baixas foram alagadas. O Rio Poti, que já provocou alagamentos em vários municípios do Estado, baixou mais de um metro neste fim de semana.Pelo menos 19 municípios que ficam às margens do Parnaíba estão em estado de alerta. O controle de vazão é feito pela Companhia Hidrelétricas do São Francisco (Chesf), mas a Barragem de Boa Esperança, no município de Guadalupe, está no limite de sua capacidade. A direção da Chesf informou aos prefeitos da calha do Parnaíba que iria liberar as comportas numa vazão de 1.800 m³/s, o que poderia ocasionar alagamentos nas regiões ribeirinhas.

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