Sargento acusa chefes de ordenar espionagem no RS

Carvalho cita o coordenador do gabinete de Segurança Institucional do governo gaúcho e o [br]chefe da Casa Militar

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2010 | 00h00

O sargento César Rodrigues de Carvalho disse que os acessos que fazia ao sistema de segurança pública tinham como mandantes o coordenador do gabinete de Segurança Institucional do governo gaúcho, tenente-coronel Frederico Bretschneider Filho, o chefe da Casa Militar, tenente-coronel Marco Antônio Quevedo, e o ex-chefe de gabinete da governadora Yeda Crusius (PSDB), Ricardo Lied.

A revelação foi feita em entrevista dada por escrito ao jornal Diário Gaúcho de ontem. Até agosto o sargento estava lotado na Casa Militar do governo. Na sexta-feira passada, foi preso sob acusação de cobrança de propinas de operadores de máquinas caça-níqueis e de espionagem de políticos, advogados, juízes, jornalistas e até crianças, filhos de deputados e desembargadores.

Advogado do sargento, Adriano Pereira disse que seu cliente nunca recebeu propinas e, nos acessos que fez ao Sistema de Consultas Integradas do Estado, agiu a mando de chefias.

Os dois militares e o ex-chefe de gabinete de Yeda citados por Carvalho negaram ter solicitado consultas irregulares ao sargento. "Nunca houve esse tipo de pedido", garantiu Lied, que deixou o gabinete de Yeda em agosto e participa da campanha do PSDB.

Ontem, Carvalho prestou depoimento ao promotor Amilcar Macedo, que apura o caso. O ex-ministro da Justiça Tarso Genro, candidato a governador, e dois políticos do PT, além do senador Sérgio Zambiasi e quatro filiados ao PTB são exemplos de políticos que tiveram seus dados vasculhados. A bancada do PT na Assembleia Legislativa vai pedir acesso ao inquérito.

"Tudo leva a crer que a ação do sargento contava com o conhecimento do centro do governo e era acobertada por integrantes da Casa Militar", disse a deputada Stela Farias, referindo-se a informações da investigação que vazaram para imprensa indicando que assessores diretos de Yeda tinham contatos com o sargento. A governadora não comentou o caso.

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