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Sargento da Marinha mata vizinho ao confundi-lo com assaltante no Rio

Crime aconteceu em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, na noite desta quarta-feira, 2. Prisão do sargento aconteceu logo depois do crime

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2022 | 21h56

RIO - Um sargento da Marinha confundiu um vizinho com um criminoso e o matou a tiros, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, na noite de quarta-feira, 2. Ele foi indiciado por homicídio culposo (não intencional) e até a publicação desta reportagem estava preso porque não havia pago a fiança estipulada em R$ 120 mil.

O sargento Aurélio Alves Bezerra estava dentro de seu carro, parado em frente ao portão do condomínio em que mora, na rua Capitão Juvenal Figueiredo, no bairro Colubandê, por volta das 23h de quarta-feira. Como o controle remoto não estava funcionando, ele aguardava a mulher abrir o portão para guardar seu carro na garagem. Enquanto isso, Durval Teófilo Filho, negro de 38 anos, se aproximou do carro, caminhando. Ele voltava do trabalho como repositor em um supermercado e morava no mesmo condomínio de Bezerra. Como estava chegando em casa, mexia na mochila em busca da chave de casa.

Ao ver o desconhecido passando e mexendo na mochila, o sargento sacou a arma e deu um tiro em direção a Teófilo Filho. Atingida no tórax, a vítima caiu e levantou os braços, e ainda assim Bezerra disparou mais duas vezes. Depois se aproximou do repositor e constatou que ele não estava armado. Teófilo Filho teria chegado a contar que morava ali.

O sargento então levou o vizinho ao Hospital Estadual Alberto Torres, perto dali. O repositor morreu, e Bezerra foi preso em flagrante. À polícia, ele afirmou ter se assustado com a aproximação do vizinho, e ter achado que se tratava de um assaltante.

A mulher de Teófilo Filho, Luziane Teófilo, afirmou que a filha do casal, de 6 anos, viu a cena pela janela e identificou o pai: “A minha filha, que tem 6 anos, estava esperando por ele. Imediatamente ela olhou pela janela e disse que era o pai dela”, contou à TV Globo.

Para Luziane, o sargento atirou porque o homem que se aproximava era preto. “Vendo as câmeras, ouvindo a fala do delegado e pelo que os vizinhos estão falando, tenho certeza de que isso aconteceu porque ele é preto. Mesmo falando que ele era morador do condomínio, o vizinho não quis saber. Para mim, foi racismo sim”, afirmou a viúva à TV.

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