Sargento é acusado de ter deixado portão aberto

O sargento do Exército Humberto Freire, preso na quarta-feira sob suspeita de conivência com o bando que roubou dez fuzis e uma pistola do Estabelecimento Central de Transporte (ECT), há 20 dias, teve um papel fundamental na ação, segundo depoimento de outro acusado. O militar, que é lotado no quartel e estava responsável por seu plano de segurança no dia do crime, teria deixado abertos o portão da frente da unidade e a porta do local onde estavam as armas. Teria ainda vendido aos criminosos um mapa do interior do ECT, para que eles pudessem se orientar. Nesta quinta, o Ministério Público Militar (MPM) pediu à Justiça Militar a prisão preventiva do sargento e também do ex-cabo Joelson Basílio da Silva e do ex-soldado Carlos Leandro de Souza. Os dois ex-militares já estavam presos desde a semana passada. Foi Silva quem contou detalhes sobre o envolvimento do sargento, ao ser interrogado.O ex-cabo disse que Freire não estaria de serviço na madrugada do dia 3. O sargento pediu para ser incluído naquele plantão justamente para ajudar os bandidos a entrarem e levarem as armas, relatou ele. Ficou combinado, então, que o militar levaria uma coronhada, para que não houvesse suspeita de seu envolvimento. Ele acabou fingindo estar desacordado durante o tempo em que os bandidos passaram dentro do ECT, revelou Silva.ConfissãoQuando prestou depoimento, o sargento confessou ter sido negligente com relação ao plano de segurança do quartel, mas não explicou por que o fez - o que corrobora a suspeita de que ele seria conivente. Além de facilitar a entrada no quartel e o acesso às armas e ao mapa, ele ainda deixou de fazer a ronda de rotina. O ex- cabo Silva voltou atrás nas acusações contra Freire e, num novo depoimento, ontem, o inocentou. Entretanto, para o MPM, os indícios de que ele é cúmplice dos bandidos são muito fortes. Provavelmente, Freire será incluído na denúncia que será oferecida à Justiça Militar, assim como os dois ex-militares. O promotor do MPM Antônio Carlos Facuri, que, a princípio, pensou em entregar a denúncia antes mesmo de o Inquérito Policial Militar (IPM) que apura o crime tivesse sido concluído, decidiu esperar o fim da investigação. "Está tudo muito nebuloso", justificou.

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