Sarney nega paralisia da Casa, mas admite que ''falta votar'' reformas

Em nota, presidente do Senado diz que projeto está sendo discutido, mas ainda falta a votação pelo plenário e a implantação

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2011 | 00h00

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), apresentou ontem sua versão sobre o fracasso em não cumprir a promessa de aprovar uma reforma administrativa na Casa. Em nota, ele alegou que o projeto, parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), tem recebido sugestões - cerca de 600, segundo o senador - e ainda vem sendo discutido pelos senadores numa subcomissão temporária.

"Não me parece estar parada a matéria. Ao contrário, todo o trabalho realizado pela subcomissão demonstra a seriedade e a profundidade necessárias com que a matéria vem sendo tratada pela Casa", disse, em resposta à reportagem publicada na edição de ontem do Estado mostrando que pouca coisa mudou no Senado depois do escândalo dos atos secretos, em julho de 2009.

Pressionado e principal personagem da crise, Sarney autorizou a contratação e a recontratação Fundação Getúlio Vargas, em 2009 e 2010, para que um estudo de reestruturação fosse apresentado. A instituição recebeu R$ 500 mil pelo serviço. O projeto, porém, não agradou a servidores e senadores, recebeu centenas de emendas e empacou na CCJ.

Em compensação, os servidores do Senado ganharam um novo plano de carreira, com reajustes, em média, de 25% nos salários.

Reação. Na nota divulgada ontem, Sarney incluiu esse aumento dos servidores na chamada "reforma administrativa". Numa mesma frase, misturou os dois assuntos, mas acabou admitindo que o projeto principal não avançou. "Falta a votação pelo plenário e a implantação", disse. "Mas grande parte da reforma foi realizada, como essa parte da carreira dos funcionários, hoje perfeitamente organizada", disse.

O peemedebista José Sarney assume a presidência do Senado, hoje, pela quarta vez, mantendo os velhos vícios, estrutura inchada, falta de controle de funcionários fantasmas, excesso de mão de obra terceirizada e de cargos de diretores, além de apadrinhados do senador e de colegas espalhados em gabinetes e secretarias.

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