Sarney nega relação com caixa 2 de Arruda

Senador afirma que ambos foram apenas 'colegas no Senado' e sem vínculos políticos

Leandro Colon de Brasília, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

Explicação, Sarney, na saída de seu gabinete: 'Minhas ligações com o PMDB eram com o governador Roriz'

 

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), negou ontem ligações políticas com o governador cassado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, com quem disse ter apenas "relações pessoais". A expressão "Sarney" surge numa contabilidade de caixa 2 da campanha de 2006, ao lado do termo "250/150 PG", conforme revelou ontem o Estado.

"Fomos colegas aqui no Senado. Temos relações pessoais, mas não políticas. Eu sempre pertenci ao PMDB e minhas ligações com o PMDB eram com o governador Joaquim Roriz", disse Sarney. Anteontem, a assessoria de Sarney afirmou ao Estado que ele e Arruda "nunca tiveram relacionamento de parceria política nem de amizade".

Na campanha eleitoral de 2006, Arruda, então candidato a governador do Distrito Federal pelo DEM, aliou-se a Roriz, que disputou uma vaga no Senado pelo PMDB. O manuscrito em que o nome "Sarney" é citado foi esquecido, em janeiro de 2007 - três meses após a eleição -, numa emissora de televisão pelo tucano Márcio Machado, apontado como um dos supostos arrecadadores do caixa 2 e que virou secretário de Obras do DF. Além desse documento, Machado deixou também uma planilha com os nomes de 41 empresas que teriam doado irregularmente para a campanha. Os papéis estão em poder do Ministério Público.

Segundo depoimentos de Durval Barbosa - delator do esquema do chamado "mensalão do DEM" - Roriz autorizou, quando governador, a arrecadar fundos de seu governo para ajudar na campanha de Arruda em 2006. Questionado sobre a menção ao sobrenome "Sarney" numa contabilidade que seria de caixa 2, Sarney preferiu não polemizar. Afirmou que isso faz parte de uma guerra política. "É uma história inocente que apareceu em cima da mesa de uma televisão", ressaltou.

O apontamento isolado do nome "Sarney" não permite indicar a quem da família do presidente do Senado supostamente se refere o manuscrito.

Perícia. Segundo perícia pedida pelo Estado, as letras "PG" ao lado de "Sarney" foram escritas pelo tucano Márcio Machado. O perito Ricardo Molina afirma que foi escrita pela mão de Arruda a relação de cinco desses nove nomes onde, na quinta anotação, aparece "Sarney - 250/150 PG".

Para chegar a essa conclusão, Molina comparou o documento da contabilidade do caixa 2 com uma carta escrita recentemente por Arruda, também de próprio punho, no dia 11 de fevereiro, logo depois de ele ter a prisão decretada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A perícia técnica diz que os trechos escritos "permitem conclusões seguras". "Os nomes listados nos números de 1 a 5 foram certamente produzidos pelo punho escritor do governador Arruda." O trabalho da perícia, assinada no dia 7 de abril, concluiu: "Acima de qualquer dúvida razoável, podemos afirmar que a escrita cursiva emanou do punho do governador José Roberto Arruda."

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