Saúde é tanto o pior item como o 2º melhor

Opiniões divergentes dos entrevistados também provocam divisões entre especialistas do setor

Humberto Maia Junior, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2007 | 00h00

A saúde aparece pela quarta vez consecutiva como a área em que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) teve o pior desempenho no ano, de acordo com 23,1% dos entrevistados na pesquisa InformEstado/Instituto GPP. A avaliação teve leve melhora em relação a dezembro de 2006, quando o porcentual era de 26,2%. Curiosamente, a saúde também está na segunda posição entre as áreas de melhor desempenho. Foram 12,8% os que assinalaram o setor como bom, ante 9,5% em 2006. Especialistas divergem sobre o que aconteceu. Para Nacime Mansur, professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a avaliação do atendimento médico recebido é cercada de variáveis. "Se o médico cuidou do paciente de forma correta, mas não cumpriu as expectativas, o julgamento será negativo. A opinião nem sempre é motivada pela questão técnica."Já o professor de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Elias, disse que o resultado é um "paradoxo aparente", que mascara a verdade. Segundo ele, o sistema de saúde pública em São Paulo sofre com a falta de organização e integração na área de emergência. A polêmica avança em torno das unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs). Criadas na gestão de Kassab para desafogar os prontos-socorros, elas permitiram a uma parcela da população receber o primeiro atendimento de qualquer mal-estar.Para Mansur, a criação das AMAs foi um avanço. "Elas cumprem papel importante." Elias, por outro lado, considera as unidades resultado de um sistema de saúde ineficiente. "As AMAs funcionam bem e por isso são bem avaliadas. Mas fazem o que o pronto-socorro deveria fazer. Se as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) funcionassem, (as AMAs) seriam desnecessárias."Kassab diz que já previa que a saúde fosse um dos itens mais mal avaliados, mas também um dos melhores. "Você vai em Cidade Tiradentes, uma região com 500 mil habitantes de classes D e E. Não é possível que lá a saúde não esteja bem avaliada, porque fizemos o hospital mais moderno da Prefeitura, em parceria com as irmãs marcelinas. Não é possível fazer uma pesquisa lá que não dê positivo. Se você chegar em M?Boi Mirim (zona sul), também onde há um grande hospital, não é possível que daqui a dois meses não seja o principal ponto." O prefeito aproveitou ainda a entrevista com o Estado para prometer, mais uma vez, entregar prontas 110 AMAs - mas agora o prazo é março de 2008.OUTROS PONTOS NEGATIVOSA segunda área mais mal avaliada na atual gestão é o transporte público, com 12,5%. Na pesquisa do ano anterior, o índice era de 14,7%, ante 13,7% da avaliação obtida por Marta Suplicy em dezembro de 2003. A segurança pública aparece na terceira posição no ranking de pior desempenho, apesar de o setor ser de responsabilidade do governo estadual.

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