Sayad prossegue enxugamento e afasta mais 150 da TV Cultura

Para presidente da Fundação Padre Anchieta. quadro era muito grande e produzia apenas 6 horas diárias

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2011 | 00h00

A TV Cultura confirmou ontem em nota a demissão de "cerca de 150 funcionários" de seus quadros. A redução se deve, segundo comunicado oficial, "a um projeto de reestruturação da emissora, adequando a grade de programação a capacidade instalada, redução de custos e investimentos em novos programas".

A reformulação leva adiante a política de enxugamento anunciada por João Sayad, atual presidente da Fundação Padre Anchieta (FPE, gestora da TV Cultura), que assumiu há sete meses. As demissões começaram em agosto, quando ele informou seus planos de cortar 450 pessoas e de encerrar os serviços terceirizados (gravações, por exemplo, para a TV Assembleia, TSE, Procuradoria da República e TV Justiça) e finalizar contratos.

Segundo Sayad, em 24 horas de programação, a TV Cultura só produzia 6 horas de conteúdo próprio, o que considerava muito pouco para o tamanho da folha salarial.

Segundo Sérgio Ipoldo, do Sindicato dos Radialistas, a direção da emissora não deixou claro se o corte se resumiria a essas 150 pessoas ou se haveria uma nova etapa. "O clima aqui está pesadíssimo, as pessoas neste momento estão se despedindo", afirmou Ipoldo, que se reuniu pela manhã com a direção da emissora para saber da extensão do ajuste.

Caso a caso. A fórmula para demitir mais 150 funcionários foi baseada, segundo a emissora, "nas propostas feitas pelos gestores de cada uma das áreas envolvidas", e a comunicação da dispensa "foi feita individualmente a cada funcionário". De acordo com José Maria Lopes, que representa os funcionários no Conselho Curador da FPE, a direção da fundação explicou detalhadamente cada corte e sua justificativa. "É sempre triste uma demissão. Essas pessoas ajudaram a construir a TV Cultura. Mas nós estamos num regime de CLT e os cortes estão sendo feitos com critério e educação". O sindicato estima que a TV Cultura esteja agora com cerca de 900 funcionários.

As demissões, na avaliação de algumas fontes não oficiais, estão distribuídas igualmente por toda a emissora. Na Rádio Cultura foram desligadas 10 pessoas. No jornalismo, três diretorias foram atingidas - deixaram a emissora o diretor de engenharia, José Chaves; de administração, Celso Tadeu; e de produção independente e aquisições, Wagner LaBella. Também foi demitido o único auditor da Fundação - o cargo deverá ser extinto.

As demissões, apesar de não lineares, parecem atingir 10% de todos os setores. A Fundação Padre Anchieta informou que "pagará integralmente todos os direitos rescisórios". O grupo de 96 funcionários lotados na TV Assembleia será absorvido pela Fundac (Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação). O contrato de R$ 15 milhões, entretanto, está sob suspeita - foi feito sem licitação.

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