SC foi novo paradigma sobre como lidar com catátrofe, diz Lula

Presidente exaltou a 'harmonia' dos governos federal, estadual e municipais durante o desastre no Estado

Lourival Sant'Anna, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

12 de dezembro de 2008 | 20h44

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 12, em Itajaí que o Estado brasileiro estabeleceu em Santa Catarina "um novo paradigma sobre como lidar com catástrofes naturais". Depois de sobrevoar áreas afetadas por deslizamentos e enchentes no Estado, Lula exaltou a "harmonia" dos governos federal, estadual e municipais. Ele fez as declarações ao lado do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, do PMDB, do prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, do PT, e de sete ministros. Veja também:Governo vai fazer o que for preciso para ajudar SC, diz LulaSaiba como ajudar as vítimas das chuvas IML divulga lista de vítimas identificadas Repórteres relatam deslizamento em Ilhota  Mulher fala da perda de parentes em SC Tragédia em Santa Catarina Blog: envie seu relato sobre as chuvas Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Tudo sobre as vítimas das chuvas    "O que anunciamos hoje não acontece hoje", advertiu o presidente, depois de os ministros fazerem um balanço das medidas adotadas para socorrer o Estado. Depois de explicar que as liberações de verbas dependem de documentações que devem ser fornecidas por prefeituras e pelos beneficiados, ele enfatizou: "Queremos acompanhar a concretização de cada coisa." Falando aos jornalistas depois do seu segundo sobrevôo de helicóptero no Vale do Itajaí, ontem à tarde, Lula elogiou a imprensa, pela "sobriedade" com que tratou a tragédia de Santa Catarina. "Normalmente quando acontece uma tragédia a imprensa fica todos os dias procurando os culpados", disse Lula, lembrando o acidente com o avião da Gol, que só depois de dois anos teve divulgado um relatório oficial sobre suas causas. "Dessa vez, a imprensa entendeu que, quando alguém perde uma casa, não se pode repô-la no mesmo dia. As coisas levam tempo. É assim que o Brasil precisa aprender a tratar dos seus problemas." Os deslizamentos e enchentes causaram a morte de 126 pessoas e deixaram 27 desaparecidos e 33.479 desalojados ou desabrigados.  Lula ressaltou que muitos deslizamentos ocorreram em áreas não desmatadas, mas elogiou a decisão do governador catarinense de formar um grupo de estudos para propor medidas que previnam novos desastres como esse. "Obviamente não podemos evitar a chuva porque essa quem manda é o homem lá de cima", disse ele. "Mas temos de tomar nossas providências aqui embaixo." Ele brincou com o governador: "Luiz Henrique, você vai ficar aqui. Eu vou receber a Xuxa em Brasília. Ela vai ajudar Santa Catarina." Ele lembrou que o jogador Ronaldo, agora do seu time Corinthians, também se engajou na campanha. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, anunciou um total de R$ 1,7 bilhão em linhas especiais de créditos com maiores prazos de carência e juros menores para a recomposição do capital de giro e de estoques de micros e pequenas empresas, e para o pagamento de aluguéis, férias e 13º salário. Também será alargado em seis meses o prazo para o pagamento de tributos federais. Os empréstimos feitos aos agricultores nas áreas afetadas pelas chuvas serão "repactuados". Ela anunciou ainda "recursos a fundo perdido para subsidiar em até 100% os débitos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar)". De acordo com o governador Luiz Henrique, do início da tragédia, dia 22, até o dia 10, o Estado perdeu R$ 72 milhões em arrecadação. O ministro dos Transportes, Alfredo Pereira do Nascimento, anunciou que foram contratadas obras no valor total de R$ 123 milhões em quatro rodovias federais: as BRs 101, 680, 470 e 282. Segundo ele, todas as rodovias estão desobstruídas e todos os desvios, asfaltados. Até 31 de janeiro, todas as rodovias federais estarão recuperadas no leito principal, para evitar problemas nas férias de verão, disse o ministro. E as obras nas encostas, onde houve deslizamentos, deverão estar concluídas em seis meses. Já o ministro dos Portos, Pedro Brito, afirmou que serão investidos R$ 350 milhões na recuperação do Porto de Itajaí, que está parado, causando um prejuízo diário de US$ 35 milhões. As obras incluem a dragagem do porto assoreado, para recuperar a sua profundidade e permitir o acesso dos navios. As dragas começarão a trabalhar na semana que vem. O trabalho tem prazo de 90 dias, mas a empresa chinesa que ganhou a licitação de R$ 17,5 milhões promete concluir antes, disse o ministro. Outros R$ 50 milhões serão investidos em obras para evitar que o problema se repita.

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