SC já recebeu 800 t de doações e não tem lugar para guardar

Defesa Civil busca galpão com 10 mil m² e orienta doadores a usarem as contas bancárias

Karine Ruy, O Estadao de S.Paulo

01 de dezembro de 2008 | 00h00

Até o momento, a Defesa Civil de Santa Catarina recebeu cerca de 800 toneladas de alimentos e 1 milhão de litros de água. "Os pontos de recebimento não comportam mais nada", diz Emerson Neri Emerim, secretário-executivo do Conselho Estadual da entidade. Ontem à tarde, a ordem na sede da Defesa Civil em Florianópolis era encontrar um galpão com 10 mil metros quadrados para servir como centro de armazenamento e distribuição dos mantimentos. O local deverá ser alugado na BR-101, nas proximidades da capital, para facilitar o recebimento e o transporte.A distribuição de alimentos ocorria com base no Aeroporto Internacional de Navegantes. Entre domingo (23) e sábado (29), foram cumpridas 459 missões (viagens), em um total de 375 horas de vôo. Mesmo não sendo a prioridade, 10 corpos foram resgatados, informa o comandante-geral das Operações Aéreas, tenente-coronel Milton Kern Pinto, da Polícia Militar de Santa Catarina. Em Itajaí, segundo a prefeitura, as doações serão entregues de casa em casa a partir de hoje.Por causa da falta de espaço, os coordenadores da Defesa Civil elaboraram um novo plano logístico. A partir de agora, os donativos arrecadados em outros Estados deverão ser entregues às próprias unidades da Defesa Civil. "Nós pedimos que não mandem mais nada diretamente para Santa Catarina porque não temos mais lugar para guardar", completa Emerim. As situações críticas das estradas - uma área da BR-101, em Palhoça, ao lado de Florianópolis, só foi liberada na noite de ontem, assim como toda a estadual SC-411 - também dificultam os trabalhos. Oito rodovias estaduais seguem interditadas.A recomendação é para que, por enquanto, as doações sejam feitas em dinheiro, nas contas abertas em nome do Fundo Estadual de Defesa Civil. Até sexta-feira, o fundo registrava R$ 3,6 milhões em depósitos. Os mantimentos poderão ser comprados no próprio município atingido, contribuindo ainda para a injeção de recursos financeiros na economia local. Desde ontem, às 16 horas, consultas sobre as contas bancárias para colaborações podem ser feitas pelo telefone: 0800-482020.O grupo de Intervenção de Desastre da Cruz Vermelha Internacional auxilia no Estado. Formado por cinco representantes da Alemanha e da Espanha, deve ficar lá por cerca de três meses. Ele deve fazer um levantamento das necessidades emergenciais da população para saber em que aplicar os recursos do fundo de emergência para desastre da instituição. Também foi criado pela Defesa Civil Estadual um site para dar informações oficiais sobre o desastre. Um mural de recados dentro do site www.desastre.sc.gov.br está permitindo que familiares e amigos de vítimas das enchentes e voluntários envolvidos com a ajuda à Santa Catarina se comuniquem e até encontrem desaparecidos. O site, segundo a Defesa Civil Estadual, permite a interação entre a população afetada e a busca de informações sobre o maior desastre da história catarinense. A orientação da Defesa Civil do Estado é para que as pessoas utilizem o espaço não apenas para fazer comunicados, mas também para interagir. "A idéia é que a própria comunidade se integre ao processo e troque informações, colaborando com os trabalhos de resgate, pois juntos somos mais fortes", ressalta Emerin.

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