''Se Dilma sabia, é crime'', afirma Serra

'Um esquema como este na Casa Civil não se criou a partir de abril', diz tucano, referindo-se à época em que candidata deixou a pasta

Luciana Nunes Leal/ RIO, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

Ao comentar mais uma denúncia sobre um suposto esquema de corrupção e tráfico de influência na Casa Civil, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, fez uma referência ao período em que sua adversária Dilma Rousseff, do PT, foi titular da pasta.

"Se (Dilma) sabia, é crime. Se não sabia, não é boa administradora, porque anos e anos com um esquema feito ao lado do gabinete, com distribuição de propinas até para a compra de remédios, o que é especialmente mórbido, não dá", afirmou.

Ele se referia à reportagem publicada na revista Veja que circulou ontem, sobre o recebimento de propina de R$ 200 mil por Vinícius Castro, ex-funcionário do ministério e sócio de Israel Guerra, filho de Erenice Guerra.

Serra destacou que o suposto esquema de pagamento de propina acontecia desde o período em que Dilma comandava a Casa Civil. "Tudo o que eles querem é dizer que eleição é uma coisa e que governo é outra. A gente sabe que não é assim. Um esquema como este na Casa Civil não se criou a partir de abril (quando Dilma deixou o governo para iniciar campanha)."

O tucano disse que "é preciso dar um basta" à corrupção no governo federal. O candidato afirmou que a população está mais informada sobre as denúncias que envolvem a ex-ministra Erenice do que sobre a quebra de sigilo fiscal de pessoas próximas a ele. "Muita gente no Brasil não entendeu o que é quebra de sigilo, embora seja um crime grave. Mas, todo mundo sabe o que é corrupção, o que é mensalão, o que é propina", declarou.

Serra não quis, no entanto, especular sobre o possível impacto das denúncias na campanha de Dilma. Ele procurou destacar a importância da Casa Civil, que classificou como "o coração do governo". "Já é o terceiro escândalo da Casa Civil deste governo", lembrou.

Ele declarou que, se eleito, sua gestão será diferente. "Tenho outra história, tenho caráter, como tem caráter também a população brasileira. Nesta eleição, temos que dar um basta nesses abusos." O candidato do PSDB fez caminhada em Icaraí, em Niterói, e participou de encontro, no Rio, com deficientes físicos, aos quais afirmou que os escândalos envolvendo o governo significam "dinheiro retirado da Previdência, dos deficientes, da educação". No discurso, tendo ao seu lado o candidato do PV ao governo do Estado, Fernando Gabeira, e o candidato ao Senado, Cesar Maia (DEM), Serra prometeu criar um ministério específico para deficientes físicos.

Convocação. Em Brasília, o PSDB elevou ontem o tom das acusações contra a candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, vinculando-a diretamente às novas denúncias publicadas na revista Veja de pagamento de propina na Casa Civil. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi escalado pela cúpula tucana para cobrar explicações de Dilma. "Alguém pode se dispor a ser presidente da República e não enxergar um propinoduto instalado a um palmo de seu nariz, um balcão de negócios?", indagou. O senador tucano anunciou a apresentação, amanhã, à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, de uma representação para ouvir a Dilma sobre o assunto. / COLABOROU EUGÊNIA LOPES

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