Se eleito, Agnelo terá maioria na Câmara do DF

Das 24 vagas da Casa, que foi palco do 'mensalão do DEM', 13 foram[br]conquistadas por aliados da coligação do candidato petista ao governo

Carol Pires / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2010 | 00h00

A coligação que apoia a candidatura de Agnelo Queiroz (PT) ao governo do Distrito Federal, formada por 11 partidos, conseguiu a maioria das vagas na Câmara Legislativa, palco do maior escândalo de corrupção em Brasília, o "mensalão do DEM". Das 24 vagas disponíveis, 13 foram conquistadas por candidatos da coligação do candidato petista. A 14.ª vaga ficou com o PSL, partido que declarou apoio a Agnelo no segundo turno.

O petista teve 48,41% dos votos e vai disputar o segundo turno com Weslian Roriz (PSC), que teve 31,50%. Mulher do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), Weslian substituiu o marido na cabeça da chapa na última semana de campanha - ameaçado pela Lei da Ficha Limpa, Roriz desistiu de concorrer após indefinição do Supremo Tribunal Federal sobre a validade da lei na atual eleição.

A possível maioria de Agnelo não assusta a adversária. Pelas contas da campanha de Weslian também é possível enxergar na Câmara Legislativa uma maioria pró-Roriz. Isso porque, além dos 10 deputados eleitos pela coligação "Esperança Renovada", que apoia o ex-governador, outros 4 deputados eleitos pela coligação adversária são ligados historicamente a Joaquim Roriz.

Na nova bancada de Roriz no Legislativo local destacam-se a filha caçula do ex-governador, Liliane Roriz (PRTB), e Celina Leão (PMN), ex-chefe de gabinete de Jaqueline, outra filha do casal Roriz, Jaqueline, por sua vez, foi eleita deputada federal na eleição de domingo.

Foram eleitos também para a Câmara Legislativa do DF Rôney Nemer (PMDB), ex-secretário de Infra-Estrutura na gestão Roriz, e ainda Dr. Michel (PSL), Cristiano Araujo (PTB) e Evandro Garla (PRB), antigos aliados políticos do ex-governador.

Do grupo que apoia Agnelo Queiroz, a maior parte das vagas ficou com o PT, com cinco deputados distritais eleitos. Também somam-se à bancada os novatos Professor Israel Batista (PDT) e o ex-diretor do Senado Agaciel Maia (PTC), pivô do escândalo dos atos secretos. Weslian, novata em política, teve desempenho ruim no último debate da campanha, mas assegurou vaga no segundo turno.

Mensalão. Quase um terço dos deputados distritais que encerram o atual mandato no próximo dia 31 de dezembro teve seus nomes citados no inquérito da Operação Caixa de Pandora, suspeitos de recebimento de propina no chamado mensalão do DEM.

Rôney Nemer (PMDB), Benedito Domingos (PP) e Aylton Gomes (PR), suspeitos de ter recebido parte do dinheiro ilegal, foram reeleitos no domingo para a Câmara, que tem 24 vagas. Benício Tavares (PMDB) poderá completar a lista caso consiga reverter decisão da Justiça que barrou sua candidatura.

Não foram reeleitos o deputado Batista das Cooperativas (PRTB), grande defensor do ex-governador José Roberto Arruda, acusado de chefiar o esquema de corrupção no Distrito Federal. Geraldo Naves (DEM), que chegou a ficar preso por 60 dias sob acusação de ter participado da tentativa de suborno de uma testemunha do caso, também perdeu a eleição.

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