Se eu fosse o pai estaria revoltado, diz Cabral sobre absolvição

Governador, que chegou a chamar PMs de 'débeis mentais', diz discordar da absolvição no caso João Roberto

Alexandre Rodrigues e Wilson Tosta, de O Estado de S. Paulo,

12 de dezembro de 2008 | 09h43

Quando o menino João Roberto foi morto, em 6 de julho, o governador Sergio Cabral defendeu a expulsão dos PMs que dispararam contra o carro da mãe da criança, Alessandra Amorim Soares. Referiu-se a eles como "débeis mentais". Na quinta-feira, 11, em entrevista ao Estado, disse que está revoltado "como pai e cidadão" com a absolvição do cabo William de Paula e ressaltou que a orientação para a polícia não é a de atirar indiscriminadamente.   Veja também: Pai de João Roberto diz que ainda acredita na Justiça Decisão dá 'carta branca' para PM matar, diz promotor do Rio Promotor fala que decisão foi desrespeitosa com a sociedade  MP vai recorrer da absolvição de PM no caso João Roberto PM é absolvido no caso João Roberto Todas as notícias sobre o caso       Como recebeu a informação da absolvição do cabo William de Paula? Os pais estão revoltados com toda a razão. Se eu fosse o pai dessa criança, estaria muito revoltado. Como cidadão, fico muito revoltado. Por mais que não tinha sido um homicídio doloso, mas teve um grau de dolo (intenção), porque na verdade ele não teve a intenção de matar a criança, mas alguém que estava dentro do carro.   A defesa alega que ele agiu conforme foi orientado pela corporação. Não há estímulo a isso na polícia. Não posso responder por uma polícia que faz 200 anos em 2009, mas, nesses dois anos, nossa orientação não é essa (atirar sem critério). Quantas prisões realizamos sem dar um tiro sequer? A política de confronto é a maior picaretagem acadêmica que ouvi na minha vida (referindo-se ao termo usado por sociólogos e cientistas políticos para definir a política de segurança do governo). Política de confronto é a do bandido.   A polícia está preparada para abordagens como essas? Ali o que houve foi o despreparo do policial. São 38 mil policiais militares, 12 mil diariamente nas ruas do Estado. Esse policial não pode servir como generalização da corporação. Quantos casos a polícia resolve por dia que não são divulgados? Seria injustiça com batalhões, com comandantes. Ele foi tenso, precipitado, neurótico. Até usei termo forte na época, chamei-os de débeis mentais. Ele teve fragilidade no seu psique sem cabimento.

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