Se Lula for a debate, sairá vitorioso; diz Alencar

O vice-presidente da República, José Alencar, sugeriu nesta quarta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participe do debate na TV Globo, na noite de quinta-feira, dia 28. Segundo ele, se Lula decidir ir, sairá vitorioso do encontro entre os presidenciáveis. "Se ele for, ele vence o debate, ele tem experiência", afirmou, durante entrevista na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte.Alencar destacou que "não tem outro brasileiro, como candidato a presidente da República, que tenha participado tanto de debates quanto o Lula". Porém, admitiu que a situação atual é diferente, pois desta vez o candidato petista disputa a reeleição. "Você tem, obviamente, que pensar um pouco mesmo"."Bem intencionadas" O vice-presidente fez uma enfática defesa de Lula no escândalo do envolvimento de petistas na compra de um dossiê contra candidatos tucanos. "Ele (Lula) é absolutamente inocente nisso", afirmou, garantindo que não seria novamente candidato a vice na chapa presidencial caso duvidasse da "honorabilidade" de Lula.Alencar também isentou o PT, enquanto instituição, pelo episódio. E chegou a dizer que a tentativa de compra do dossiê é de responsabilidade de "algumas pessoas" do partido, "até bem intencionadas". "Algumas pessoas do PT levaram a essa situação, às vezes até bem intencionadas", disse.Questionado em seguida, procurou corrigir a frase. "O sujeito às vezes pode estar pensando que está agindo com inteligência e pode acabar marcando um gol contra, mas não quero acusar ninguém".Referindo-se à última pesquisa CNT/Sensus, o vice-presidente disse que o escândalo não afetou a popularidade do presidente. "O povo viu que fizeram isso para tentar arranhar a honorabilidade do presidente Lula. O povo reagiu e defendeu o presidente fazendo justiça. Prova disso são os números que estão postos pelas pesquisas".Decisão sobre debateSomente nesta quinta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidirá se irá ou não ao debate na Rede Globo, no Rio de Janeiro, marcado para a mesma noite. O presidente, pessoalmente, acha que deve comparecer ao debate, mas ainda está consultando todas as pessoas com quais tem conversado nos últimos dias para tomar uma decisão. No governo, as opiniões estão muito divididas. Nesta quarta-feira, 27, o tema acabou dominando a reunião de coordenação política do governo, realizada no Planalto, que contou com a presença dos ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, da Casa Civil, Dilma Rousseff, da Fazenda, Guido Mantega, da Secretaria-Geral, Luiz Dulci, e das Relações Institucionais, Tarso Genro, além de alguns assessores palacianos. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defensor de Lula ir ao debate, também esteve no Planalto. Mas a tendência era de não comparecer, apesar da resistência do presidente, que sempre diz que "gosta muito" de participar de debates.Lula está avaliando os riscos de comparecer à TV Globo. Sabe que será alvo principal dos ataques e foi advertido por seus auxiliares que as críticas poderão beirar a baixaria. A maior preocupação é com a agressividade da senadora Heloísa Helena (PSOL). Temem que, no caso de qualquer deslize, este fato possa ser fundamental para lhe tirar a reeleição no primeiro turno das mãos. Nesta quinta-feira pela manhã Lula gravará o último programa eleitoral que irá ao ar na noite de quinta-feira. Até ontem à noite, a idéia era que o presidente não deveria tratar dos escândalos dos últimos dias no último programa e dedicar-se a fazer um discurso mais emotivo, apelando à população para que continue mantendo um trabalhador à frente do poder, mas sem falas agressivas.A agenda de Lula para esta quinta-feira ainda não estava completamente fechada. Embora tenha previsto a gravação do programa eleitoral e a participação em uma cerimônia ligada aos esportes, no Planalto, Lula reservou o resto do dia a despachos internos para que possa avaliar e decidir se vai ao debate, no Rio, ou ao comício de encerramento da campanha, em São Bernardo do Campo, seu berço político, em São Paulo. A tendência, na noite de quarta-feira, era de Lula não comparecer ao debate, apesar de ninguém arriscar que esta seria a decisão final. Na reunião de coordenação, Lula voltou a manifestar o desejo de ir ao debate, embora estivesse pesando todos os prós e os contras.

Agencia Estado,

27 de setembro de 2006 | 20h48

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