Se Lula for reeleito, governo acaba antes de começar, diz Alckmin

O candidato da coligação PSDB-PFL à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse que se Lula for reeleito, o clima de disputa para 2010 começará no dia seguinte à posse. "Se o presidente Lula for reeleito, (o governo) acaba antes de começar. No dia seguinte, começa a discutir 2010. Vamos pensar no futuro. Por que perder quatro anos? Nosso tempo é da mudança, da velocidade", afirmou, ao comentar sobre o processo de reeleição, experiência que já viveu no governo de São Paulo.Alckmin se comprometeu a, se eleito, trabalhar para acabar com a reeleição para presidente e reafirmou que um eventual segundo mandato de seu adversário significa uma perda de quatro anos para o País. Ele disse que considera a reeleição ruim para o Brasil e que um time novo pode fazer muito mais para o País, como nas reformas necessárias e no ajuste fiscal. Ele disse que o atual governo aumentou a carga tributária e criticou a falta de investimentos e o aumento de gastos. Segundo o candidato tucano, o governo se apropriou de 40% de tudo o que o povo gera de riquezas com impostos. Para Alckmin, na teoria a reeleição é muito bonita, mas na prática mostrou-se que é ruim. "No que depender de mim não tenho a menor dúvida de que é melhor não ter a reeleição. Tenho convicção contrária à reeleição", afirmou. Ele lamentou o fato de a lei não ter sido até hoje regulamentada para estabelecer regras. "O que estamos vendo hoje é uma mistura de candidato e presidente, sem separar a questão eleitoral e governamental", disse. Alckmin reafirmou também a sua posição favorável ao mandato de quatro anos. "Se trabalhar bem, desde o primeiro dia, dá para fazer um bom mandato". Crescimento econômico e política fiscalAlckmin abriu a sabatina com um longo discurso enfatizando a necessidade de crescimento econômico e criticou a política fiscal do atual governo, afirmando que é ruim, e que a política monetária é muito dura. Para Alckmin, é uma política que desindustrializa em um país que precisa gerar emprego."O mundo cresce com uma taxa de investimento e no Brasil ela (a taxa de investimento) cai. Está embicando", afirmou.Privatização do EstadoMais uma vez, ele acusou o PT de "privatizar" o Estado ao aparelhar as empresas públicas. "Eu vou agir firme na questão fiscal e agir firme no primeiro dia do ano, fazer as reformas estruturantes que precisam ser feitas."Ele destacou a questão ética, afirmando que houve um verdadeiro descalabro de natureza ética. "Os fatos não foram isolados nem pontuais. Foram continuados", disse ele, acrescentando que o governo não aprendeu com esses episódios. "Os fins nunca justificam os meios", disse.Promiscuidade entre público e privadoRessaltou que há uma promiscuidade entre o público e o privado, entre o partido e o governo. "Dessa mistura indevida, temos como conseqüência a ineficiência e a corrupção. Precisamos recuperar o Estado como um prestador de serviços", acrescentou.Fez uma análise sobre a qualidade dos serviços públicos citando por exemplo que há 2,5 milhões de crianças de 7 a 14 anos fora da escola, sendo que 1,5 milhão delas estão no Nordeste. Além da evasão escolar, enfatizou o fato do aumento do trabalho infantil no governo Lula.Fez também uma radiografia sobre a segurança pública e criminalidade. "Não tem um país que não tenha combatido fortemente a criminalidade que não tenha tido o peso do governo federal".Política econômicaAlckmin afirmou que há um risco de, a partir do próximo mês, ocorrer uma alta nos preços dos alimentos. Segundo ele, isso é conseqüência da crise enfrentada pela agricultura, que provocou a redução na área plantada e que, por conseqüência, deve pressionar os preços.No debate, Alckmin afirmou que a economia brasileira patina em termos de crescimento econômico, enquanto o mundo avança puxado pela China e pelos Estados Unidos. Segundo o tucano, o País tem uma "política fiscal fraca", que faz com que a carga tributária fique em constante trajetória de alta e que, se nada for feito, poderá superar, nos próximos anos, 40% do PIB.EquívocosAlckmin também criticou a política monetária, classificando-a de "muito dura" e que fez com que o País gastasse, em 2005, R$ 156 bilhões com juros. "É o maior programa de concentração de renda que existe", afirmou.Ele também atacou a política cambial, dizendo que há uma apreciação ´artificial´ do real, que quebrou uma série de empresas exportadoras. Ele fez um contraponto com a economia chinesa que, segundo ele, está criando oito zonas de exportação.Por conta dos equívocos da política econômica, o tucano disse que o Brasil está perdendo investimentos, enquanto o mundo avança na direção contrária. Outro ataque de Alckmin ao atual governo foi com relação à postura do País na questão da Bolívia que, segundo ele, foi "fraca, dúbia e submissa" e que tem como conseqüência um aumento da insegurança jurídica na região da América Latina.

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