''Se tem só pizza e não tem crack, vou ficar por aqui''

No primeiro dia do trabalho dos agentes foram feitas 120 abordagens, com 40 encaminhamentos para abrigos e ambulatórios e cinco internações. A reportagem acompanhou uma das equipes pela manhã, formada por um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e um agente social. Foram abordados um garoto de cerca de 12 anos e um adulto que aparentava 30, que estavam juntos numa calçada da Alameda Dino Bueno. Eles recusaram o atendimento. "Tem crack lá?", perguntou o garoto ao ser informado de que teria pizza. "Se tem só pizza e não tem crack, vou ficar por aqui." Os agentes de saúde, que já realizam um difícil trabalho de convencimento dos usuários de droga, enfrentaram mais dificuldades ontem. Assustados com a presença da polícia, a maioria dos viciados abandonou os pontos tradicionais. "Eles estão assustados com toda essa movimentação", afirmou um dos agentes, ao passar próximo da Estação da Luz e não encontrar as pessoas que costumam ficar por ali. Embaixo da Passarela das Noivas (na Rua São Caetano), na Luz, os profissionais acharam Jéssica, de 14 anos, que tradicionalmente mora na cracolândia. Mas a jovem estava tão drogada que não foi possível uma abordagem. "Esse não é o ponto onde ela fica", disse uma das agentes.

Diego Zanchetta e Marici Capitelli, O Estadao de S.Paulo

23 Julho 2009 | 00h00

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