''Se tivesse medo de pressão, não seria ministro'', afirma Cardozo

Petista, que vem sendo acusado por aliados de ter perdido o controle da PF, disse que conta com [br]o apoio da presidente

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2011 | 00h00

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que tem todo o apoio da presidente Dilma Rousseff, independentemente das reclamações dos partidos da base aliada do governo que têm filiados sob investigação da Polícia Federal (PF). "A recomendação que tive da presidente Dilma foi para cumprir a lei. Ela é muito firme e foi firmeza que ela me recomendou."

Cardozo disse ainda que não tem medo da pressão que sofre por parte da base, especialmente do PT e do PMDB, partidos que lotearam o Ministério do Turismo e que tiveram integrantes presos na Operação Voucher da PF. A ação da Polícia Federal levou à prisão 35 pessoas, entre elas filiados ao PT, como o ex-secretário executivo do Turismo Mário Moysés, e ao PMDB, como o secretário de Desenvolvimento do Turismo, ex-deputado Colbert Martins.

"Se eu tivesse medo de pressão, não teria aceitado ser ministro da Justiça", afirmou Cardozo. "Esse cargo acumula conflitos de interesse. Por um lado, você tem de cumprir a lei, e há os que põem em dúvida se você vai mesmo cumpri-la; por outro, quando a Polícia Federal age, você pode ser acusado de estar perdendo o controle e permitindo abusos ou descontrole. Esse é o peso do cargo."

O ministro afirmou ainda que não sabia da conclusão da operação, e que nem deveria saber. "Seria um crime se eu fosse avisado. E seria um crime maior ainda se eu fosse avisado e procurasse frear qualquer ação", disse.

Ele lembrou que abusos, como o uso exagerado de algemas, não devem ocorrer, o que é reforçado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). "Além de me recomendar que cumpra a lei, a presidente Dilma disse que é para punir os abusos", afirmou. Por isso, segundo Cardozo, a PF vai continuar agindo com independência, com a recomendação para não cometer abusos. "Esse é o Estado de Direito", afirmou o ministro da Justiça.

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