Fábio Motta/AE - 21/12/2010
Fábio Motta/AE - 21/12/2010

Sean conversa com avó materna na noite de Natal

Menino que teve guarda disputada nos EUA não falava com Silvana Bianchi havia 6 meses

Talita Figueiredo, O Estado de S. Paulo

28 de dezembro de 2010 | 16h00

RIO - Depois de exatos 12 meses da entrega do neto Sean para o pai americano, David Goldman, a avó materna, a chef de cozinha Silvana Bianchi, recebeu um presente de Natal na noite do último dia 24: um telefonema do menino de 10 anos, com quem não falava havia seis meses. "A ligação me pegou de surpresa e foi muito bom ter falado com ele. Contei da nossa batalha de um ano para poder visitá-lo, disse que não nos esquecemos dele nem um minuto do dia e que nossa luta tem sido grande", disse Silvana.

 

O menino, no entanto, pouco contou nos cinco minutos que durou a ligação. Além da dificuldade de se expressar em português, Silvana notou um misto de emoção e falta de espontaneidade no neto. Para ela, Sean foi o tempo todo monitorado e proibido de perguntar ou falar o que queria.

 

"Ele não entrou em detalhes sobre a vida dele, só falou que estava em férias por dez dias, que estava bem e que estava saindo para jantar. Sabe como é, um menino de 10 anos já não é muito de conversa. Ele escutou apenas, não perguntou sobre nós, nem sobre a irmã", afirmou Silvana.

 

A chef de cozinha disse ao neto que a irmã, Chiara, de 2 anos, está sempre dizendo "cadê o irmão", quando vê as fotos dele espalhadas pela casa de Silvana, mas a menina estava na casa da avó paterna na noite do Natal e por isso não falou com Sean. "Perguntei também o que ele queria de Natal, que ele pensasse e me dissesse, na próxima vez que pudesse me telefonar."

 

Silvana aguarda agora resposta da corte de Nova Jersey, nos Estados Unidos, onde mora Goldman, sobre pedido de visita ao menino. "O Sean tem que ter o direito de conviver com a família brasileira."

 

Sean foi levado aos Estados Unidos para ser criado pelo pai, o americano David Goldman, um ano e meio depois da morte de sua mãe brasileira, a estilista carioca Bruna Bianchi, que morreu aos 34 anos horas depois de dar à luz Chiara. Bruna e Goldman casaram-se nos Estados Unidos em 2000.

 

Quando Sean tinha 4 anos, Bruna veio passar férias no Rio, com autorização de Goldman, mas, ao chegar à cidade, decidiu separar-se e obteve a guarda de Sean na Justiça. Goldman entrou com ação pedindo o repatriamento do filho com base na Convenção de Haia, que regulamenta o sequestro internacional de crianças.

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