MARCOS DE PAULA/23-12-2009/ESTADÃO
MARCOS DE PAULA/23-12-2009/ESTADÃO

Sean Goldman diz ter rompido com avó brasileira

Hoje com 18 anos, jovem, que foi o centro de uma disputa de guarda que mobilizou autoridades americanas e brasileiras, disse que 'muitas mentiras foram contadas' e que rompeu contato com a avó materna

O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2018 | 19h18

O jovem Sean Goldman, hoje com 18 anos, falou sobre a disputa judicial e diplomática que teve a sua guarda como questão central. Em entrevista à revista Veja, ele disse ter sido vítima de alienação parental. “Não imagino o que faria agora porque meus pensamentos seriam distorcidos. Eram muitas mentiras que me contavam”, disse ele quando perguntado sobre o que teria feito caso a Justiça não tivesse autorizado seu retorno para os Estados Unidos.

Goldman, filho do americano David Goldman com a brasileira Bruna Bianchi, foi trazido criança pela mãe ao Brasil. Bruna havia conseguido uma liberação provisória do pai para viajar com a criança, mas surpreendeu David ao, no Brasil, comunicá-lo da decisão de divórcio e de permanecer com o garoto no País. Para o americano, a situação configurava subtração infantil e, após a morte de Bruna no parto de outro filho, iniciou uma longa batalha judicial que chegou a envolver autoridades políticas americanas e brasileiras.

A situação só foi resolvida em 2009 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Cinco anos depois de ser trazido pela mãe ao Brasil, a família de Bruna o devolveu na sede do Consulado dos Estados Unidos no Rio para que ele retornasse ao convívio do pai. À Veja, o jovem falou sobre a situação. Ele diz só ter percebido que estava no centro de um embate pela sua guarda há “cinco, quatro anos”. “Foi um processo lento, mas hoje sei que foi uma subtração infantil. Quando voltei para cá, eu era muito pequeno. Faço terapia desde então. E, claro, tive cu­riosidade de ler notícias da época pela internet.”

Sean diz ter cortado relações com a sua avó materna,  Silvana Bianchi, após ficar contrariado com declarações dada por ela. “Havia um acordo para ela me visitar até os meus 16 anos. Ela veio mais de dez vezes, mas depois disse em entrevista não ter me visto desde a minha volta. Por essa mentira, decidi romper a relação. Na verdade, adoraria ter contato com ela e com o Brasil. Mas minha família não agiu de forma normal”, disse à revista. 

A revista fala sobre a rotina do jovem de 1,87 metro e 65 quilos, que trabalha na marina de Sandy Hook, em Nova Jersey e que hoje estuda administração. O Estado não conseguiu manter contato com a família de Sean no Brasil.

Para ele, a motivação da disputa era o “orgulho”. “Não era para me criar, mas para não perder uma briga judicial. Fui vítima de muitas mentiras. Disseram que meu pai não me queria, até para influenciar a opinião pública. Temos de falar sobre os fatos, para que a subtração infantil diminua. Os pais podem se separar, é natural, mas é preciso que cheguem a um acordo, para a criança não sofrer e todos terem vida normal”, disse. 

Mais conteúdo sobre:
Sean Goldman

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.