Seap remove presos internados em hospitais públicos

A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) resolveu nesta segunda remover todos os presos internados em hospitais públicos do Rio. Pelo menos 11 detentos foram transferidos desde sábado para o novo Hospital Penitenciário Fábio Soares Maciel, inaugurado em janeiro pelo governo do Estado do Rio em Bangu, na zona oeste da cidade. A medida atendeu à reivindicação das associações que representam médicos e outros profissionais de saúde, que estavam preocupados com a segurança nos hospitais. O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, Jorge Darze, afirma que o governo do Estado feriu uma resolução estadual de 2002 ao desativar o antigo hospital penitenciário do complexo prisional da Frei Caneca, no Centro, antes da conclusão da nova unidade de referência do sistema, em Bangu. As instalações do antigo hospital foram adaptadas para abrigar o excedente de presas da Casa de Custódia Romeiro Neto, em Magé. A unidade foi transformada em carceragem masculina para acomodar parte dos mais de mil detentos transferidos no mês passado das celas desativadas da Polinter. "Foi uma atitude intempestiva do governo desativar um hospital sem finalizar o outro e transferir os presos doentes para os hospitais públicos. Uma situação arriscada e inaceitável", disse Darze. Ele conta que médicos e enfermeiros trabalhavam sob tensão nos últimos meses diante dos riscos de resgate de presos. Segundo o dirigente sindical, os presos só deveriam ser levados para unidades públicas em caso de risco de morte. "Todos os resgates que aconteceram, inclusive com a morte de PMs que vigiavam, eram de presos que não corriam risco. Até 2002, a freqüência era muito grande. Por isso nos preocupamos de novo", disse. O Sindicato dos Médicos recebeu denúncias de que o novo hospital penitenciário não tem as condições necessárias para o atendimento e vai pedir ao Ministério Público para vistoriar a nova unidade. O objetivo é evitar que presos sejam novamente transferidos para unidades públicas por falta de recursos adequados. Darze ressalta que é preciso construir unidades penitenciárias melhor equipadas, inclusive com Centros de Terapia Intensiva (CTIs). O secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, afirmou que um dos objetivos da medida é eliminar os riscos de uma eventual fuga de presos para pacientes e profissionais de saúde dos hospitais públicos. A Seap informou que o novo hospital universitário tem emergência 24 horas, ambulatórios e clínicas especializadas, além de dois centros cirúrgicos. A intenção da secretaria é ampliar, com a construção de um novo prédio, o número de leitos de 80 para 145. Um terceiro centro cirúrgico, um centro de hemodiálises e um CTI com quatro leitos também serão criados. Após as transferências do fim de semana, apenas um preso permaneceu no Hospital Municipal Souza Aguiar. Ele deve passar por uma neurocirurgia, que não pode ser feita na unidade penitenciária, e por isso não foi transferido.

Agencia Estado,

13 Fevereiro 2006 | 19h19

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