AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Secretaria entrega 146 boletins de ocorrência ao MPE

O Ministério Público Estadual (MPE) recebeu nesta sexta, às 16h45, em uma caixa de papelão bege e outra de plástico azul, os documentos requisitados à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) para investigar as mortes da guerra contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a SSP, foram enviados 146 boletins de ocorrência - 123 de mortos por armas de fogo e 23 de mortos em rebeliões.O Ministério Público também recebeu termos de ocorrência dos casos, feitos pela Polícia Militar, mas não soube precisar quantos documentos foram entregues.Na quinta, o MPE já havia recebido os laudos dos 132 mortos por arma de fogo que deram entrada no Instituto Médico-Legal (IML) Central da capital entre os dias 12 e 20.O prazo para entrega dos documentos da PM vencia nesta sexta, mas o da Polícia Civil já havia terminado na quita. O procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, tinha afirmado que, se a data não fosse obedecida, planejava processar os chefes das polícias paulistas por crime de desobediência.Indagado sobre o que pretendia fazer a respeito, Pinho preferiu não polemizar: "O importante é que as informações vieram." Segundo ele, "como as informações foram encaminhadas, não há fundamento para tomar providências." No início da semana, Pinho e o governador Cláudio Lembo (PFL) não chegaram a acordo sobre a divulgação ou não da lista.Segundo o procurador-geral, os dados estão sendo cruzados e serão encaminhados aos promotores. Cada morte será apurada em um inquérito e as possíveis execuções, em procedimentos separados. Os Grupos de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaecos) também investigarão a atuação do PCC. "Os Gaecos estão atuando de forma sincronizada. Com certeza, o PCC não foi desarticulado."InteligênciaUm grupo de 63 promotores de Justiça da área criminal subscreveu ofícios de solidariedade a familiares e colegas de agentes públicos mortos pelo PCC. Alguns deles entregaram cópias dos documentos pessoalmente, hoje, no Comando-Geral da PM e na Delegacia-Geral de Polícia. Pretendem fazer o mesmo, na segunda-feira, no comando da Guarda Civil Metropolitana. Os ofícios fazem a ressalva de que eventuais excessos por parte dos policias serão devidamente apurados.O objetivo é manter o bom relacionamento entre as instituições, de olho num plano ambicioso: criar um grupo de inteligência que integre polícias, MPE, Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) e outros órgãos ligados à segurança para combater facções criminosas.Na semana passada, promotores da área de Execução Criminal enviaram a Pinho uma lista com 19 propostas para atuar na prevenção e repressão do crime com mais eficiência - a criação do grupo de inteligência é uma delas. "Vou analisar na semana que vem", disse o procurador-geral.Na visão desses promotores, como a força do PCC só fez crescer nos últimos anos nas prisões, um trabalho sério de inteligência levaria, pelo menos, de oito a dez anos para desbaratar a organização. A primeira medida que o grupo propõe, assim como Pinho, é o isolamento das lideranças da facção.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.