Secretaria nega responsabilidade por parentes de presos

A Secretaria da Administração Penitenciária informou que não tem condições de controlar as viagens de familiares de presos para os presídios do interior. Em nota distribuída após reunião do secretário Nagashi Furukawa com os coordenadores das unidades prisionais do Estado, a Secretaria se exime de responsabilidade pelo acidente que causou a morte de 18 pessoas na madrugada de sábado, quando o ônibus que transportava parentes de presos colidiu com uma carreta. Segundo a Secretaria, todas as unidades recebem semanalmente grande número de visitantes e é a primeira vez que um acidente vitima um número elevado de familiares de detentos. Parentes que moram em São Paulo reclamaram de serem obrigados a percorrer até 1.300 quilômetros nos fins de semana para visitar presos transferidos para a região oeste do Estado. As transferências ocorreram em razão do programa de descentralização prisional do governo de São Paulo, que incluiu a desativação parcial do Complexo do Carandiru. A maior parte da população carcerária, antes concentrada na capital, está agora no interior. Furukawa lamentou as mortes e agradeceu o empenho dos que trabalharam para que os detentos pudessem acompanhar o velório dos familiares. Segundo a secretaria, não cabe ao Estado subsidiar ou controlar o transporte dos visitantes, nem fiscalizar as condições dos veículos utilizados, o que deve ser feito "pelas autoridades competentes". A Secretaria tem 80.905 presos distribuídos nas penitenciárias conforme critérios que vão do agrupamento pela mesma região de origem, até os disciplinares. Presos que lideram rebeliões ou facções são transferidos com freqüência, para evitar que formem grupos no interior dos presídios. O comando da Polícia Militar informou que será intensificada a fiscalização, pela Polícia Rodoviária, nas rotas utilizadas para o transporte de familiares de presos da capital para o interior.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.