Secretaria recua e promete não mudar DAS

Já não é mais bem assim. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou nesta sexta-feira por meio de nota oficial que a Divisão Anti-Seqüestro (DAS) não perderá os 30 policiais e os 8 veículos que fazem rondas 24 horas por dia. A única alteração será feita no porta-malas dos carros, que receberá a sigla do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) no lugar de DAS.Na realidade, a informação dada pela secretaria mostra que houve um recuo por parte da polícia. O diretor do Deic, Godofredo Bittencourt Filho, havia decidido ? e já tinha iniciado ? a transferência de mais de um quarto dos policiais da DAS para o Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra).A notícia da mudança provocou a reação de familiares e vítimas desse tipo de crime e chamou a atenção por ter sido determinada logo após as eleições ? o combate aos seqüestros foi uma das bandeiras do governador Geraldo Alckmin (PSDB) ? e por seu principal argumento: o número de seqüestros em andamento é pequeno. O que é verdade. Mas essa é a primeira vez que isso ocorre nos últimos dois anos e o mês de janeiro ainda está na metade."Embalagem"A nota da secretaria diz que a única coisa que será mudada na verdade, ?em uma figura de linguagem, é a ?embalagem??. De acordo com o texto, todos os veículos do Deic, o que inclui ainda os das divisões de Crimes contra o Patrimônio, de Investigações Gerais e de Roubos de Carga e Veículos, terão a sigla do departamento pintada na traseira.A assessoria de imprensa da secretaria informou ainda que os policiais e a ronda da DAS já combatiam outros tipos de crime quando não estavam em missão anti-seqüestro e, a partir de agora, os outros grupos, o Garra e o GER (Grupo Especial de Resgate), também darão apoio em ações de combate a esse tipo de crime.Também não haverá mudança de sede para os policiais da ronda da DAS, que permanecerão, segundo a Secretaria da Segurança, no prédio da divisão, na Avenida Higienópolis, no centro.A idéia inicial do Deic era que os policiais da DAS passassem a integrar o Garra para combater outros tipos de crime. ?Não posso permitir uma ronda só da DAS com o número baixo de seqüestros?, disse Bittencourt Filho ao Estado, na quarta-feira.Nesta sexta-feira, por meio da assessoria de imprensa da secretaria, o diretor do Deic afirmou que ?nunca disse que ia tirar policiais da DAS?.A divisão foi criada em setembro de 2001, quando recebeu os 30 homens e os oito veículos para as rondas 24 horas. Oitenta policiais, entre delegados, investigadores e escrivães, responsáveis em investigar e acompanhar os seqüestros em andamento, completam o efetivo da DAS.No mês seguinte à sua criação, 43 pessoas estavam em cativeiros, apenas na capital. No segundo semestre de 2002, o número de seqüestros começou a cair de fato. Hoje, segundo a polícia, três pessoas estão em poder de bandidos. A nota da secretaria afirma ainda que esse ?novo planejamento estratégico? ? a pintura de uma nova sigla nos porta-malas dos carros ? fará com que o número de seqüestros caia mais ainda.

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