Secretaria transfere 6 de escola depredada

PM vai apurar supostas agressões a alunos; diretora já pediu ajuda a MP

Bárbara Souza e Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

14 de novembro de 2008 | 00h00

Pelo menos seis alunos apontados pela Secretaria de Educação como responsáveis pelo quebra-quebra de anteontem na Escola Estadual Amadeu Amaral, no Belém, zona leste de São Paulo, vão ser transferidos. A direção identificou outros envolvidos na confusão, mas a secretaria optou por não informar o total de estudantes que serão encaminhados a outros colégios porque os pais ainda não haviam sido comunicados. O tumulto causou prejuízo de R$ 180 mil.A Polícia Militar instaurou inquérito para investigar as denúncias de que estudantes teriam sido agredidos pelos soldados que foram conter o vandalismo. Alguns alunos afirmam que foram trancados em salas pelos policiais e apanharam. Segundo eles, os PMs estavam sem identificação. Quatro alunos feridos registraram ocorrência. "Não deixavam a gente falar. Chegaram batendo", contou T., de 13 anos.Quinze dias antes da confusão, a diretora Maria Regina de Negreiros pediu ajuda à Vara da Infância e Juventude para tentar resolver problemas de indisciplina, agressões e invasão da unidade. Ela também acionou o Conselho Tutelar nesta semana. Segundo a promotora Luciana Bergamo, Maria Regina entrou em contato com o Ministério Público no fim de outubro, cerca de um mês após assumir a direção. "Na semana passada, ela mostrou fotos de alunos no telhado e de luminárias, janelas e carteiras destruídas." Na segunda-feira, quando houve mais uma depredação, a diretora procurou novamente o MP. Luciana soube que já havia um BO por danos ao patrimônio, de agosto. Cinco jovens envolvidos no episódio foram ouvidos por ela.O MP só deve agir quando o BO do tumulto de anteontem chegar à Promotoria da Infância. Caso a denúncia seja levada à Justiça, os envolvidos poderão ter de prestar serviços comunitários ou até ser internados na Fundação Casa. O Conselho Tutelar afirmou que vai pedir acompanhamento psicológico para os envolvidos. Na terça-feira à tarde, Maria Regina enviou fax ao Conselho Tutelar, pois U., de 15 anos - pivô da confusão de anteontem -, teria sido vista praticando atos libidinosos com outros alunos. A mãe da garota não foi localizada. A escola ficou fechada ontem para reparos. As aulas só serão retomadas na segunda-feira. A presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, defendeu que as escolas tenham psicólogos. "Há problemas psicossociais que vêm de fora. O professor nem sempre sabe como agir."MORTEO supervisor escolar Douglas Calabrez, de 58 anos, foi morto com quatro tiros, ontem de manhã, ao chegar ao trabalho, na Diretoria Regional de Educação de Guaianases, na zona leste de São Paulo. Ninguém foi preso, mas duas câmeras instaladas na entrada do prédio registraram a chegada e a fuga do assassino. A polícia não relaciona o crime com o trabalho do supervisor, mas ainda não descarta essa possibilidade. COLABORARAM MARCELA SPINOSA E RENATA CAFARDO

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